domingo, 25 de janeiro de 2009

Mulheres Indianas

Mulheres trabalhando no hospital.

Mulheres trabanhando na obra de um templo indiano.


Quando estamos na Índia muitos de nossos conceitos são abalados. Uma das situações mais diferente e difícil de aceitar é que na Índia as mulheres trabalham pesado, principalmente as de castas mais baixas.

Aqui mesmo no hospital flagramos elas carregando cestas na cabeça, para transportar material de construção para um área que está em obra. Como elas não possuem força para utilizar a pá, os homens simplesmente enchem as cestas que elas levam na cabeça. Mesmo sabendo disso, impressiona o fato dos homens ficarem esperando para colocar mais cascalhos nas cestas, enquanto elas circulam pelos corredores do hospital como formigas trabalhadoras.

A Índia é muito complexa e não é incomum vermos várias explicações para o mesmo aspecto de suas tradições e costumes. O conceito da casta pode ser assustador e até cruel para nós.

Normalmente se entende o sistema de casta como uma situação onde as pessoas estão fadadas a um destino de miséria quando nascem filhas de pais da casta dos sudras, a mais baixa no sistema social.

Mas como há sempre várias versões sobre o mesmo fato, já ouvi uma explicação que me pareceu mais simpática.

Antigamente a casta indiana não era transmitida de pai para filho, tudo era definido pelos astros. Isso mesmo, pelas estrelas.

Para compreender o sistema de casta na Índia antiga é necessário entendermos como até hoje a astrologia védica indiana está presente nas decisões das pessoas e é levada muito a sério.

O Jyotish é um sistema de astrologia milenar. As datas propícias para casamentos e eventos importantes da vida são definidas após a consulta com um astrólogo védico.

Assim, no passado, quando uma criança nascia ela era levada ao astrólogo da cidade que pela configuração de seu mapa astral védico definia a qual casta iria pertencer. Era comum entender que certas pessoas teriam uma facilidade para se dedicar aos estudos e ao conhecimento, sendo assim membros da casta dos brâhmanes.
Os astrólogos sabiam que se a criança possuía em seu mapa astral um tino comercial seria uma pessoa que naturalmente teria um bom desempenho como membros da casta dos vaixas, que são os comerciantes. Em seu mapa astral estava claro que não deveria ser nem de uma casta “superior” ou “inferior”, pois não conseguiria desempenhar bem as outras funções sociais devido as suas qualidades inatas de comerciante. Esse sistema favorecia todo o grupo social, pois permitia que as pessoas fossem boas no que possuem de vocação.

Na época não fazia sentido ser o mais rico da sociedade, e sim ser o melhor no que se fazia. Desta forma, estaria desempenhando bem o papel para o qual nascera e fora definido pelos astros.
Porém, com o acontecimento das diversas invasões no norte da Índia o sistema de castas definido pela astrologia indiana, passou a ser um sistema hereditário, no intuito de se proteger da miscigenação. Sendo assim, mesmo que um homem do povo estranho tivesse um filho com uma mulher indiana este não poderia ser de casta alguma, pois não tinham ambos os pais de uma casta definida. Seria um pariah, os que estão fora do sistema de casta. Isso evitava, também, que um membro da cultura que estava invadindo o país pudesse se tornar da mais alta casta e vir a ser um líder ou um governador legitimado pelo sistema de castas do país.

Mais tarde o sistema hereditário se fixou e começaram a ocorrer distorções sociais. Pessoas com grande capacidade intelectual ficaram fadadas a casta do pariahs ou intocáveis, sem poder expressar a sua vocação natural dada pelos astros.



PAZ e conhecimento a todos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá Laura

Adorei seu blog. Entrei aqui por acaso e as informações que vc nos oferece são fantásticas
Parabéns pelo seu caminho. E continue a escrever sempre.
Um abraço da mais nova fã de seu blog.
Marcia - Piauí