sábado, 31 de janeiro de 2009

O charme de Mumbai














Estamos num dos bairros mais interesantes de Mumbai, o Colaba. Sua atmosfera é curiosa e fascinante.
Ficamos em hotel charmoso com móveis antigos, junto aos famosos Cafés: Mondegar e Leopold. O Leopold mostra em sua faixada imagens de garotas junto as logomarcas da Coca-cola, lembranças dos anos 60. Prédios com faixadas art déco dão um toque nostalgico na cidade.

Mumbai é repleta de contrastes. Taxis antigos de cor preta com teto amarelo, disputam espaço com Mercedes-Benz do ano. Prédios modernos se destacam nas ruas repletas de lojas rústicas com pequenos comerciantes de pés descalços. Pessoas apressadas nos celulares esnobam os que ainda precisam usar os telefones vermelhos de rua junto as árvores que propagandeam com avisos de ligações locais e internacionais. Chegamos a telefonar para o Brasil de uma barraquinha que vendia coco verde.
As vacas continuam a se misturarem com as pessoas e carros. Fomos comprar frutas e lá estavam elas a comer as sobras.
Imagens de Ganesha, o deus elefante, adornadas com guirlandas de flores enfeitam as portas antigas,e logo abaixo uma oração escrita em giz na língua local, o hindi, revela puro relicário sagrado.
Carroças gigantes e delicadamente adornadas com detalhes prateados, enfeitados com flores trafegam nas ruas. Placas advertem em vão que sua passagem é proibida em determinados trechos.
Por fim, o nome de uma barraquina de pulseiras nos lembra em seu layout que A VIDA É BONITA!!

Paz e saúde a todos...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Air India – Bombai





Remédicos Ayurvédicos para 6 meses.


Fiquei muito ansiosa com a minha partida do hospital. Foram 34 dias de tratamento intenso, que me deixaram muito fraca e debilitada, tive receio de deixar o aconchego do meu quarto e o apoio da equipe médica. Mas isto era esperado. Afinal é assim que o Ayurveda funciona. Primeiro desintoxica o organismo, o que naturalmente deixa-o muito fragilizado, para depois administrar os remédios por um longo período. No meu caso serão 6 meses de medicação em casa. Foram duas caixas cheias de remédios (veja na foto).

Como planejado, reservei quase um mês após o término do tratamento para ganhar forças antes de embarcar na longa jornada de volta. Quase 24 horas de vôo internacional é um enorme baque para nosso organismo, principalmente para quem está se recuperando de um longo tratamento como o que realizei.

Recentemente fizeram uma pesquisa e comprovaram os malefícios de um longo vôo sobre a saúde. Na última viagem senti muito bem o quanto somos afetados pelos vôos internacionais, a experiência não foi nada agradável e na época tive medo de ter posto todo o tratamento a perder.
Mesmo o curto trajeto entre o estado do Kerala e a cidade de Mumbai deixou-me sem forças e exausta.

Ainda assim, tive uma experiência curiosa. Voamos pela empresa Air India, a única que realiza o trajeto. A Air India é minha conhecida, pois já fiz outras viagens com ela. Seu serviço de bordo é composto por comissárias de mais idade, talvez porque a empresa seja a mais antiga no país. Porém, a seriedade e o atendimento indelicado prestado pelas aeromoças é quase uma tradição.
Quando fui ao toilette pedi licença para passar no corredor e ganhei um empurrão e um sonoro não. Mais tarde descobri, talvez, o motivo do mau humor. A aeromoça estava cansada de vestir o sapato que apertava seu pé, e simplesmente passou a servir a refeição descalça e irritada. (olhe na foto).

Quando chegamos Mumbai tivemos a surpresa de descer num aeroporto completamente reformado e moderno. Agora ficaremos três semanas na AMAZING MUMBAI (Impressionante Mumbai).

Paz e Saúde a todos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Para acalmar a mente

( Asharam - Bangalore)

Estou um pouco atarefada agora... Não tive muito tempo para parar e escrever meu post de hoje.
O tratamento terminou e estou arrumando minhas malas, conferindo os remédios e acertando todos os detalhes e informações importantes para minha volta.
Dentro de uma série de recomendações novas que tenho que seguir está a de continuar praticando regularmente pranayamas com a finalidade de energizar mais o corpo e acalmar o sistema nervoso. E isso eu realmente tenho certeza que funciona... passei pela experiência e hoje sei o quanto é importante "respirar".

Segue então uma pequena explicação sobre a importância da respiração para nossa vida:
"Todos os indivíduos são agraciados com todas as virtudes do mundo. Elas simplesmente estão cobertas por falta de compreensão e estresse. Tudo que é preciso é revelar as virtudes que já estão lá. Técnicas de respiração e meditação são muito eficientes para acalmar a mente.

Aprender algo sobre nossa respiração é muito importante. Nossa respiração tem uma grande lição para nos ensinar, que nós havíamos esquecido. Para todo ritmo na mente, há um ritmo correspondente na respiração e para todo ritmo na respiração há uma emoção correspondente. Então, quando você não puder lidar com sua mente diretamente, através da respiração você pode lidar melhor com ela ".

Sri sri Ravi Shankar - Fundador da ONG Arte de Viver
http://www.artedeviver.org.br/
Paz e conhecimento a todos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vestindo o saree




Resolvi colocar este slide show com algumas fotos que tirei ontem enquanto vestia o saree. Talvez dê para vocês terem uma idéia de como se faz durante a delicada arte de vesti-lo.

Uma paciente que está no mesmo bloco que eu se dispôs a me ajudar... mais do que me ajudar, ela e sua irmã resolveram me caracterizar completamente...me emprestaram um colar de ouro que simboliza que sou casada.

Arrumaram meu cabelo, fizeram meu marido sair para comprar flores e preparam um aplique com elas, e por sinal tinha um perfume maravilhoso, pois era um ramo de jasmim... foi muito divertido... Para completar colocaram o bindi na minha testa entre as sobrancelhas, e em seguida fizeram a marca vermelha na raiz do cabelo que também significa que sou casada. Também me emprestaram suas pulseiras, pois as que tenho não combinaram com as cores do saree.

Todos ficaram me olhando e vários vieram me parabenizar pela forma que estava vestida durante o jantar. Cheguei a ficar vermelha de tanta vergonha. Mas foi espantoso como os olhares mudaram e passaram a me aceitar muito mais. É impressionante o poder que a roupa exerce sobre nós, seja da sociedade que for.

Paz e conhecimento a todos

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A difícil tarefa de comprar um saree

Ontem a tarde me senti um pouco melhor e resolvi ir em uma loja aqui perto do hospital comprar um sari.

Nas propagandas, outdoors existem sempre indianas vestidas com belíssimos saris, mas acha-los é uma tarefa muito difícil, pelo menos nas lojas do interior do país.

Não que não haja belos saris, mas conseguir se comunicar com os vendedores é o mais complicado. Eles praticamente não falam inglês e ainda por cima possuem um gosto bastante duvidoso.

Nos primeiros 15 minutos na loja quase desisti e voltei para o hospital.. Comecei a ficar cansada e sem paciência... O calor na loja era insuportável, os ventiladores não davam conta, e todos estavam derretendo ...


Além disso, eu pedia uma cor e eles me mostravam outra. Queriam a todo custo me vender saris amarelos ou com muito bordado dourado... Tudo o que eu não queria. Buscava um modelo mais simples, e em cores mais escuras.


Chegou um momento que havia cerca de 30 modelos diferentes em cima do balcão... e nada me agradava. Foi então que a pareceu um novo funcionário e pedi para olhar diretamente nas prateleiras e pegar tudo aquilo que achasse interessante. Ele, além de concordar, entendeu o que eu procurava.

Os saris estavam divididos pelo tipo de material: algodão, chifon ou seda e numa infinidade de cores e modelos.

Depois de quase uma hora, consegui achar três modelos que me agradaram...mas aí começou mais um dilema... tentar resolver a saia que é usada por baixo , assim como a mini blusa... Levei um tempo para conseguir explicar que também precisava delas, e acabei perdendo a paciência, pois já estava exausta pelo calor e resolvi levar apenas um deles, pois ainda tinha que tirar as minhas medidas e escolher as cores para confeccionar as mini-blusas.


Hoje a noite a blusa deve estar pronta e assim que puder coloco um vídeo para vocês verem como vestir um sari passo a passo.

Muita paz e conhecimento a todos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Visita ao templo



Ontem foi o primeiro dia que saí do hospital, após 29 dias de tratamento. Ainda estou me sentindo bem fraca, mas os médicos dizem que é uma reação normal e esperada do curso do tratamento. Estou tomando um remédio preparado com uma erva conhecida popularmente como: “Mulher de mil homens”. Com este remédio provavelmente passe a ficar bem mais forte em breve.

Como ontem melhorei um pouco, a médica chamou-me para assistir o último dia do festival que está acontecendo no templo ao lado de sua casa.

Por volta das 20 horas pegamos um rickshaw e fomos para o templo. Era incrível. Um elefante enorme tinha a cabeça decorada com ornamentos dourados, e estava a entrar pelo pequeno corredor que levava ao templo, enquanto os sacerdotes do templo tocavam instrumentos musicais em um tom altíssimo por vários minutos.

Ofereceram frutas, incensos e flocos de arroz ao elefante e em seguida a enorme e bela criatura desceu para a área do templo acompanhada dos instrumentistas sagrados.

Quase não consegui manter-me em pé, pois a música com o decorrer do tempo deixou-me com um torpor geral pelo corpo e um profundo vazio na mente.

A figura inusitada do elefante em tão pequeno espaço completava o ambiente de cores, sons, odores deixando-nos fora de nós mesmos.

Ainda bem que tive esta oportunidade de desfrutar um pedaço da Incrível Índia.

Paz e saúde a todos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Mulheres Indianas

Mulheres trabalhando no hospital.

Mulheres trabanhando na obra de um templo indiano.


Quando estamos na Índia muitos de nossos conceitos são abalados. Uma das situações mais diferente e difícil de aceitar é que na Índia as mulheres trabalham pesado, principalmente as de castas mais baixas.

Aqui mesmo no hospital flagramos elas carregando cestas na cabeça, para transportar material de construção para um área que está em obra. Como elas não possuem força para utilizar a pá, os homens simplesmente enchem as cestas que elas levam na cabeça. Mesmo sabendo disso, impressiona o fato dos homens ficarem esperando para colocar mais cascalhos nas cestas, enquanto elas circulam pelos corredores do hospital como formigas trabalhadoras.

A Índia é muito complexa e não é incomum vermos várias explicações para o mesmo aspecto de suas tradições e costumes. O conceito da casta pode ser assustador e até cruel para nós.

Normalmente se entende o sistema de casta como uma situação onde as pessoas estão fadadas a um destino de miséria quando nascem filhas de pais da casta dos sudras, a mais baixa no sistema social.

Mas como há sempre várias versões sobre o mesmo fato, já ouvi uma explicação que me pareceu mais simpática.

Antigamente a casta indiana não era transmitida de pai para filho, tudo era definido pelos astros. Isso mesmo, pelas estrelas.

Para compreender o sistema de casta na Índia antiga é necessário entendermos como até hoje a astrologia védica indiana está presente nas decisões das pessoas e é levada muito a sério.

O Jyotish é um sistema de astrologia milenar. As datas propícias para casamentos e eventos importantes da vida são definidas após a consulta com um astrólogo védico.

Assim, no passado, quando uma criança nascia ela era levada ao astrólogo da cidade que pela configuração de seu mapa astral védico definia a qual casta iria pertencer. Era comum entender que certas pessoas teriam uma facilidade para se dedicar aos estudos e ao conhecimento, sendo assim membros da casta dos brâhmanes.
Os astrólogos sabiam que se a criança possuía em seu mapa astral um tino comercial seria uma pessoa que naturalmente teria um bom desempenho como membros da casta dos vaixas, que são os comerciantes. Em seu mapa astral estava claro que não deveria ser nem de uma casta “superior” ou “inferior”, pois não conseguiria desempenhar bem as outras funções sociais devido as suas qualidades inatas de comerciante. Esse sistema favorecia todo o grupo social, pois permitia que as pessoas fossem boas no que possuem de vocação.

Na época não fazia sentido ser o mais rico da sociedade, e sim ser o melhor no que se fazia. Desta forma, estaria desempenhando bem o papel para o qual nascera e fora definido pelos astros.
Porém, com o acontecimento das diversas invasões no norte da Índia o sistema de castas definido pela astrologia indiana, passou a ser um sistema hereditário, no intuito de se proteger da miscigenação. Sendo assim, mesmo que um homem do povo estranho tivesse um filho com uma mulher indiana este não poderia ser de casta alguma, pois não tinham ambos os pais de uma casta definida. Seria um pariah, os que estão fora do sistema de casta. Isso evitava, também, que um membro da cultura que estava invadindo o país pudesse se tornar da mais alta casta e vir a ser um líder ou um governador legitimado pelo sistema de castas do país.

Mais tarde o sistema hereditário se fixou e começaram a ocorrer distorções sociais. Pessoas com grande capacidade intelectual ficaram fadadas a casta do pariahs ou intocáveis, sem poder expressar a sua vocação natural dada pelos astros.



PAZ e conhecimento a todos.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A rotina diária para saúde


Muitos indianos praticam o Dinacharya as 5 horas da manhã nas margens dos rios, principalmente do Rio Ganges, ou em casa.
Para o Ayurveda a higiene pessoal, a dieta alimentar e o estilo de vida que levamos são fundamentais para a boa saúde. Para possuirmos uma condição saudável o Ayurveda acredita que temos de seguir uma rotina específica diária, chamada de DINACHARYA e também uma rotina sazonal, conforme as estações do ano, conhecida como RITUCHARYA.

Para os sábios indianos do Ayurveda, tal como o sábio Sushruta, a idéia de saúde é definida como a situação onde os três doshas ( Vata, Pitta e Kapha) estão num estado de equilíbrio. A digestão e o metabolismo do corpo estão adequadamente ativos, ou seja, o fogo interno (Agni) está nem mais nem menos ativo, e os tecidos corporais, conhecidos como DHATUS, bem como os sistemas excretores do corpo se encontram num estado normal. Quando estas condições estão presentes num indivíduo, seu estado físico e mental mantêm-se em harmonia, saúde e felicidade.

Se seguirmos as orientações ayurvédicas de um apropriado regime de vida e evitarmos os desvios e a imprudência em nossas rotinas podemos ter uma vida saudável e feliz.

Os tratamentos ayurvédicos acontecem quando, na maioria dos casos, fomos indulgentes com nós mesmos e necessitamos restabelecer o mecanismo correto do que foi perturbado.

Dinacharya (rotinas diárias) podem ser sinteticamente listada.
A orientação básica é acordar antes do nascer do sol, momento do dia conhecido como Brahma muhurta, que é mais favorável para as práticas que se seguem:

1. LIMPEZAS: Cuidar do corpo promovendo sua limpeza, que envolve escovar os dentes, raspar a língua retirando as toxinas que o estômago devolveu à boca durante a noite; gargarejar e bochechar com o mesmo propósito, fazer uma auto-massagem com óleo apropriado para seu dosha; aplicar óleo ou ghee nos orifícios como narinas e orelhas; tomar banho, fazer a barba, aparar cabelos e unhas, vestir roupas limpas, perfumar-se e enfeitar-se para o dia.

2. SATISFAZER AS URGÊNCIAS NATURAIS: Suprimir a vontade de ir ao banheiro é extremamente nocivo ao corpo, isso inclui: evacuar, urinar, liberar gases estomacais e intestinais, espirrar, beber água, saciar a fome, dormir, ejacular, vomitar quando tiver vontade e bocejar. Trancar as vontades naturais pode provocar várias doenças. Para o ayurveda o que deve se suprimir é as urgências mentais , tais como, a raiva, a inveja o medo, a vaidade, o ciúmes....

3. EXERCÍCIOS: Os Vatas devem evitar atividades aeróbicas, os Kaphas devem praticar exercícios intensos e os Pittas exercícios moderados. Praticar yoga é sempre indicado, exceto durante tratamentos severos de saúde, a não ser que se esteja sob orientação de um professor experiente na patologia apresentada.

4. DISCIPLINA MORAL: Para o ayurveda um rotina de observância da atitudes mentais e morais são fundamentais para não gerarmos estresse em nosso organismo e não cairmos doente. Julgamentos equivocados sobre os acontecimentos da vida também provocam sofrimentos e conseqüentemente patologias mais a frente. Uma prática religiosa também é recomendada para manter o homem com clareza sobre a sua importância no projeto divino e diminuir o egoísmo. Portanto, respeitar os santos, mestres e professores, ajudar o próximo, manter-se esperançoso diante das dificuldades da vida são hábitos que geram SAÚDE.

Namastê a todos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Jardins e palácios indianos



(Taj Mahal, Palácio Amber (Jaipur), jardim do Hospital)

Estou passando por momentos delicados nos últimos dias. A terapia do enema debilita bastante o corpo, e fico muito cansada e fraca. Neste momento preciso de repouso e muita calma. Mas sinto saudades de passear pelo jardim que tem dentro do hospital.

Para me distrair fiquei revendo as fotos de minha primeira viagem na Índia (2005), quando estava completamente saudável. Visitei muitos palácios e seus fantásticos jardins.
Quando vi um trecho da novela Caminho das Índias pela a internet lembrei do Palácio em Jaipur. Sua arquitetura é fantástica e seus jardins são lindos. Os jardins externos são bastante coloridos e belos. Há vários elefantes com os corpos pintados e macacos andando por toda parte. E os jardins de dentro do Palácio, são ainda mais riquíssimos de detalhes. Todas as construções e os jardins são baseados nos tratados indianos sobre arquitetura, chamado de Vaastu Shastra, que em um próximo post explico melhor.

Um deles fica dentro de um lago e é formado com desenhos diversos, no maior estilo indiano, com pedras separando o gramado, formando uma estampa lindíssima.
Também recordei-me do Taj Mahal e seus jardins, o gramado é lindo, e admirar a construção do Taj Mahal, que na verdade é um mausoléu é como apreciar uma jóia. Alias, muitos chamam-o de Jóia da Índia.
Espero poder melhorar logo para voltar aos meus passeios matutinos no jardim daqui. Apesar de bem simples se comparado aos do Palácios, é muito agradável e refrescante.

Paz e saúde.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A causa de nossas doenças - Parte III



Por último, temos as pessoas de dosha Kapha que são as mais apegadas às situações, e que sentem mais dificuldade de mudar um hábito. Por isso, quando estão fixadas num comportamento que lhes desequilibram criam uma enorme resistência para alterá-los, mesmo sabendo que seria importante para sua saúde e melhor qualidade de vida. A inércia é uma situação que os “kaphas” precisam vencer para obter o sucesso de suas pretensões.

Muitos comportamentos que possuem em sua essência a característica da “inércia” podem prejudicar a vida das pessoas de dosha predominante Kapha. A tendência a comer doces e guloseimas é uma constante na vida destas pessoas. O que os tornam mais sedentários e sujeitos a doenças de acúmulos no corpo, tal como cistos e até tumores.

Comer sorvetes todos os dias, que são gordurosos e de difícil digestão, pode gerar um acúmulo de material não digerido no corpo que com o passar dos anos eclode como um tumor. Mais uma vez não nos damos conta que nossas atitudes no decorrer de anos são responsáveis pela aparição de uma doença e buscamos soluções imediatas, tais como cirurgias. Esquecendo de observar os atos que nos levaram ao desequilíbrio do organismo.

Comportamentos que agravam KAPHA:

- Falta de exercícios.
- Estilo de vida indolente, um comportamento preguiçoso ou apático.
- Consumo excessivo de doces e líquidos.
- Dormir demais, acordar tarde pela manhã ou dormir à tarde.
- Comer demasiadamente, principalmente comidas ricas em carboidratos ou muito nutritivas.
- Durante as épocas de chuva, deixar-se ficar molhado.
- Vestir roupas úmidas e não se secar completamente após o banho, principalmente os cabelos.
- Ficar muito dependente do parceiro, sem praticar mais desapego na relação amorosa.
- Comer sorvetes e outros alimentos gordurosos.
- Evitar um estilo de vida consumista.

Saúde a todos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A causa de nossas doenças - Parte II




A indiana sabe se proteger do sol, enquanto a estrangeira se expõe livremente ao calor.

Tal como as pessoas de dosha VATA, os que possuem constituição PITTA devem observar suas atitudes mais freqüentes, para evitarem hábitos e rotinas que estimulem ainda mais o PITTA.
As pessoas “Pittas” tendem a ter de comportamentos fortes e não costumam aceitar sugestões, sendo facilmente levados a insistirem nos hábitos que os desequilibram. O simples consumo de vinho tinto, que é comumente tido como saudável devido a presença de anti-oxidantes, pode no decorrer de anos gerar problemas de pele, alopecia e, mais tarde, progredir para gastrites ou úlceras estomacais.

Comportamentos que agravam o PITTA:

- Falta de um relacionamento firme, amoroso e estável. Não deve haver espaço para ciúme e competição.
- Muita exposição ao sol.
- Usar roupas demasiadamente fechadas no verão, tais como tailleur e ternos.
- Abusar no consumo de álcool, principalmente destilados e vinho tinto.
- Abusar da pimenta nas refeições, bem como alho e cebola crua.
- Discutir ou conversar usando muitas argumentações.
- Poucas atividades fora de ambientes fechados, ou seja, ficar na rotina trabalho-casa, sem se permitir a passeios em campos verdes ou banhos de cachoeiras ou rios.
- Pouca ingestão de água.
- Excesso de atividades competitivas, tais como futebol, volei e cartas.


Saúde a todos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A causa de nossas doenças - Parte 1

Um grande de número de doenças e problemas crônicos de saúde costumam nos afetar quando estamos por volta dos 30 anos e principalmente após os 50. Boa parte destas manifestações se devem a comportamentos e padrões emocionais, que estão correlacionados com o estilo de vida do mundo moderno.

Vejo que isto fica cada dia mais claro para minha história pessoal, muito de meus hábitos não eram saudáveis e por muito tempo não pude me dar conta disso.

Somos seres formadores de hábitos, e muito de nossos comportamentos são repetições de padrões que aprendemos com as gerações anteriores e que por várias vezes podem estar equivocados.

Vou dar um exemplo bem comum. No mundo ocidental é muito usual se acreditar que ar fresco é bom para saúde. Até certo ponto, não deixa de ser verdade, mas para o ayurveda o que importa é o equilíbrio dos fatores sob o qual nos expomos. Se ficamos submetidos apenas a um aspecto do que nos faz bem por muito tempo acabamos por adoecer. Tudo em excesso parece fazer mal.
Para o ayurveda existem 5 fatores básicos (vento ou frio, fogo ou calor, água ou movimento, terra ou elementos densos e éter ou excesso de pensamentos) com seus subfatores que devem estar sempre presente em nossas vidas. Se exageramos na idéia de pegar ar fresco podemos adquirir um resfriado, que eventualmente poderá progredir no decorrer de anos para um reumatismo num momento mais avançado da vida, sem que percebamos que tudo começou a vários anos atrás com o hábito de se expor demasiadamente ao ar fresco todos os dias.

Muitas pessoas jovens nem parecem sentir o efeito de se expor a um tempo frio, insistindo em usar roupas curtas nestas condições, até mesmo no inverno. Mas caso a constituição da pessoa seja do dosha VATA, como o meu, acabará sofrendo doenças mais sérias, tais como artrite ou reumatismo, que tiveram suas raízes neste hábito ou em outros igualmente agravadores do VATA.

Segue uma relação de COMPORTAMENTOS que desequilibram as pessoas com dosha VATA:

- Muita atividade aeróbica ou dança.
- Excesso de informações e imagens.
- Saídas noturna, causando fadiga e irritação nervosa.
- Corridas e dietas visando perder peso.
- Consumo excessivo de folhas e vegetais crus.
- Muita atividade sexual.
- Muitas conversas no telefone, principalmente no celular.
- Pouco tempo reservado para ficar sozinho.
- Carência de rotina.
- Assistir muitos vídeos, cinema ou TV.
- Muitos desafios emocionais sem o tempo necessário para digeri-los, através de reflexões e apaziguamento emocional.
- Falta de suporte familiar ou emocional.
- Falta de carinho.

Saúde a todos.

Roupa indiana tradicional- Dhoti




Certo dia estávamos assistindo um encontro de alguns pacientes no final do dia. Eles se reuniram na frente do Templo, que fica do outro lado da rua, e fizeram uma fogueira. Depois colocaram um rádio para tocar músicas indianas pops e começaram a dançar em círculos ao redor da fogueira.
Havia gente de toda idade. Uma senhora puxou-me para dançar com eles e aceitei convite, mas logo me dei conta de que o calor da fogueira não estava me fazendo bem e resolvi parar. Eram indianos que admiravam a modernidade e as músicas eletrônicas no estilo indiano.
As mulheres vestiam desde sarees a calças jeans, e os homens usavam roupas ocidentais e o tradicional Doti. O médico chefe da clínica em certo momento juntou-se aos pacientes. Fiquei muito atenta a sua vestimenta, usava apenas o Doti e um pano para cobrir seus ombros. Ele estava com as vestes dos tradicionais indianos do sul da Índia.
Todos pararam de dançar para observar e reverenciar o médico, e percebemos que o Doti somado a pessoa do médico impunha respeito entre os indianos.
Meu marido criou um interesse especial pelo traje, e resolveu comprar um e usá-lo. Um dos pacientes se dispôs a ensiná-lo a vestir.
Trata-se de um tecido de aproximadamente 4 metros, ou de 2 metros. O Doti pode ser de diversas cores, sempre com uma faixa de outra cor, que funciona como uma barra no fim da saia.
Para vestir o doti, deve-se abrir o pano e enrolar na cintura como se fosse uma toalha de banho.
Mas detalhe: tem que deixar sobrando cerca de 50 centímetros aberto na lateral. Como o pano ficará na altura do peito deve-se enrolar até a altura da cintura, e continuar esticada a sobra lateral. Depois de enrolado, deve-se dobrar a parte lateral para frente do corpo duas vezes e prender a parte superior na cintura.
É comum que se segure as duas pontas na hora de se andar na rua, a fim de refrescar as pernas e também evitar um tombo quando se sobe escadas ou ladeiras, já que seu comprimento vai até os calcanhares. As vezes também dobram o pano na altura do joelho e prendem a borda inferior junto a borda da cintura para refrescar o corpo, já que a temperatura aqui está sempre muito alta.
Paz e saúde a todos

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Nova terapia - Patra Potali

Há dois dias atras comecei uma nova terapia. Depois de 14 dias recebendo a terapia Pizhichil que já expliquei anteriormente, meu corpo ficou extremamente saturado de óleo... Para pessoas com desequilíbrio vata, as terapias com bastante óleo são muito recomendadas e eficazes.

No inicio ela me ajudou muito, mas depois meu corpo começou a dar sinais de ressecamento, coceira e muita irritação na pele. O Pitta do meu corpo subiu demais e agora precisamos restabelece-lo.

A nova terapia, conjugada aos mediamentos e aos antigos procedimentos, é chamada Patra Potali. Consiste na aplicação de óleo medicado sobre o corpo e em seguida as enfermeiras começam a esfregar trouxinhas feitas com ervas que foram fritas em algum tipo de óleo medicado e misturadas a outros remédios .
Durante uma hora as enfermeiras fazem movimentos circulares e às vezes dão “batidinhas” no corpo, conjugadas a alongamentos e movimentos nas articulações .

É uma terapia bastante intensa... durante o procedimento algumas sensações desagradáveis aparecem como coceira, tremor e irritabilidade... depois de terminada a terapia, elas secam meu corpo com toalhas e aplicam um óleo de coco medicado a fim de refrescar meu corpo. E em seguida devo ficar deitada mais uma hora para relaxar, e perceber os benefícios do tratamento.
Esta terapia é indicada para fibromialgia, dores musculares, Ler (Lesão por Esforço Repetitivo). Sendo muito eficaz para dores crônicas, paralisia, rigidez, torções, problemas de pele. É também rejuvenescedora. Promovendo ainda a melhor circulação e ajudando na eliminação das toxinas e fluídos do corpo.
Não sei por quanto tempo isto continuará... tenho ainda mais duas semanas aqui no hospital... o médico prolongou minha internação por 1 semana, não sei porquê, mas vim aqui para isto... então tenho que aproveitar cada minuto a mais.
Paz e saúde a todos

domingo, 18 de janeiro de 2009

Pulseiras Indianas



Todas as vezes que recebo as terapias das enfermeiras indianas fico admirando seus adornos.

As mulheres indianas estão sempre muito coloridas e cheias de enfeites. O saree, a kurta, a salwar kameez e a lehenga são sempre usados com muitas pulseiras e brincos. É difícil encontrar alguma indiana sem algum enfeite, mesmo aquelas que trabalham nas construções.

Fico fascinada com tanta beleza, cores e brilhos. Aqui no sul da Índia, por a maioria da população ser muçulmana, os adornos são predominantemente em ouro... As enfermeiras do hospital, mesmo tendo poucas condições finaceiras estão sempre com os braços cheios de ouro, assim como brincos e colares e pingentes.

Existem várias lojas que vendem jóias por aqui. Comprar ouro aqui é muito fácil e barato comparado ao preço das jóias no Brasil.

Mas as pulseiras que mais gosto são iguais as das fotos acima. Existem modelos de plástico, de vidro, de metal, de tecido, com brilhos, sem brilho, com espelhinhos colados, etc... Uma variedade infindável... e nas mais variadas cores. Estes modelos são mais comuns no norte da Índia, principalmente no Rajastão (Jaipur, Agra, Jodphur).É difícil escolher. E o preço varia de acordo os modelos, mas mesmo assim são muito baratas.
Paz e conhecimento a todos

sábado, 17 de janeiro de 2009

Vassoura indiana


Diariamente aqui na Índia, experienciamos novas situações, emoções, e temos a oportunidade de conhecer novos hábitos e costumes tão diferentes dos nossos. Objetos, roupas, música, utensílios domésticos, uma série de coisas completamente estranhas para nós, mas a medida que vamos mergulhando mais fundo nesta cultura tão rica da Índia, descobrimos que tudo tem motivo, conexão, explicação.

A vassoura indiana é um exemplo disto. A primeira vista parece terrível utiliza-la, pois temos que nos manter curvados. Os indianos estão acostumados a reverenciar as pessoas e deuses em suas práticas religiosas, então não há nada de incomum e terrível para eles.

Ela é feita de palha natural, não há cabo de madeira nem de ferro, e por incrível que pareça funciona muito bem. Cheguei a testar seu uso aqui no hospital, e é muito diferente das vassouras que estamos acostumados a usar, ela é bem macia e remove a poeira de uma área maior.

Paz e conhecimento para todos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Basti - enema

Estamos bem aqui. O tratamento está correndo dentro do esperado.

Tive uma melhora muito grande dos sintomas que haviam aparecido devido a massagem e aos remédios. É como se alguns sintomas estivessem em standby e os procedimentos começaram a fazer as toxinas do corpo se “mexerem”, e, por isso, automaticamente surgiram as reações físicas ruins que estavam encubadas em meu organismo.

Nosso corpo é muito sensível e coloca-lo em equilíbrio é bastante difícil. Você tenta concertar aqui, mas estraga ali, e tenta arrumar ali e aparece outro problema lá... É um sistema complexo e todo interligado. O ayurveda consegue remover as toxinas sem alterar demasiadamente o nosso equilíbrio. O corpo pode reagir, mas o médico interage buscando uma maneira de minimizar as reações passageiras, ao mesmo tempo que nos limpa, estabelece um novo padrão para o nosso sistema.

Hoje começarei uma série de procedimentos novos. Já os fiz no primeiro tratamento, então já sei bem o que vai acontecer... mas os resultados devem ser bem diferentes, já que minha condição de saúde atual é completamente diferente de quando estava com fortes sintomas da E.M.

Farei uma semana de Basti conjugado a massagens e uma série de medicamentos... Esta terapia é aplicada através do esfíncter renal com sondas apropriadas, comumente conhecidas como clister, sendo muito importante a temperatura adequada dos líquidos utilizados.

O Basti é considerado o melhor tratamento para reorganizar o dosha Vata. Pelo fato de que o Vata é a força que está por traz de toda retenção e eliminação dos diversos processos do nosso organismo, sendo a causa principal das doenças dos tecidos e dos órgãos.

Adequadamente administrado ele ajuda a rejuvenescer o corpo gerando força e uma vida longa, melhorando também a pele e a voz.

Existem dois tipos de basti: um de óleo e o outro de decocção de ervas.
O primeiro consiste numa preparação contendo óleo vegetal que varia entre 50 e 100ml e é indicado para casos de Vata excessivamente agravado. Por si só pode ser considerado uma terapia. O segundo é feito com ervas purgativas variando de 700ml e 1,5 litros, variando de acordo com a gravidade da doença e as condições do paciente, e deve ser combinado com a aplicação prévia do enema de óleo.

Recomendado para diversas desordens nervosas, gastrointestinais, perda de força, fraqueza muscular, febre, dor de cabeça, infertilidade, cálculos renais, esquizofrenia, transtornos psiquiátricos, etc.

Paz e conhecimento para todos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Novela Indiana





Os programas de televisão na Índia são sempre muito coloridos e engraçados. Existe sempre um drama familiar e um romance proibido. Tenho assistido uma novela indiana onde aparece uma Índia muito mais organizada e limpa.
Quando vemos um flash da rua podemos notar que o cenário foi completamente retocado. Não há sujeira, confusão no trânsito e muitas pessoas circulando. Uma Índia dos sonhos, mas sem perder seu aspecto rico de cores e de detalhes culturais.
Nas cenas dentro de casa, os cenários são extraordinários, as casas parecem palácios e as vestimentas dos mais ricos são fantásticas, transbordam em cores, brilhos e designs. A quantidade de jóias usadas pelas mulheres também impressionam.
Mas o que mais chama atenção é a importância que dão às expressões faciais durante o drama familiar. De repente o programa entra em câmara lenta com um zoom no rosto do artista para enfatizar sua emoção. Como no teatro indiano, o Kathakali, as expressões emocionais são o ponto alto.
E é fácil se dar conta de que no dia-a-dia os indianos são atentos as nossas expressões. Mesmo sem um comunicação perfeita entre nós, eles sabem perfeitamente quando estamos gostando ou não de alguma situação.

O médico sabe pelo primeiro contato, na visita da manhã, se estou bem, apenas olhando minha face. Na cantina, antes de falarmos qualquer coisa, os garçons e os outros pacientes, que já fizemos amizade, reconhecem nosso humor do dia pela simples observação de nossos rostos. O que conversamos depois é apenas um adorno ao que interessa, o nosso estado de espírito.
Paz e saúde a todos.