quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Massagem para bebês -


Hoje, compartilho com vocês um texto de uma médica pediatra ayurvédica muito adorável de São Paulo , Silvia Mattoso Gioielli...

Ela escreve para o site http://www.angelino.com.br/ e este é um dos textos que ela postou lá.

Muito suave, esclarecedor e importante para as mamães...

Paz e muito conhecimento a todos...

Descomplicando a massagem para bebês.

Muitas mães têm vontade de massagear os seus bebês, mas acabam desanimando por acreditar que precisam aprender alguma técnica específica ou por não estarem certas sobre qual produto usar e tal. Na verdade, só a aplicação do óleo no corpo, mesmo sem muita técnica, pode ser extremamente benéfico tanto para mãe quanto para o bebê. A Shantala, tão divulgada por Frederic Leboyer, é a técnica mais famosa e é adorável aprendê-la em algum workshop, ou ler o livro, que é lindo… mas se não der, também não tem problema!

Então, vamos descomplicar? Tomando alguns cuidados e usando produtos adequados você e seu bebê poderão ter uma delícia de momento juntos!

Vamos começar com um pouquinho de história: a massagem para bebês é originária da Índia e faz parte do Ayurveda, a Medicina Tradicional Indiana. A aplicação de óleos medicinais no corpo, através da massagem apropriada, é parte do tratamento neste tipo de medicina. O óleo medicinal pode penetrar a pele e, assim, nutrir o organismo, ajudando na cura dos mais diversos males. A Abhyanga, como é chamada a massagem indiana, pode ser feita com técnicas diferentes e com as mais diversas indicações. Para cada uma delas, usa-se um óleo medicado com ervas específicas, de acordo com o caso.

A parte do Ayurveda que corresponde à nossa Pediatria chama-se Kaumarbhrutya. É um tratado que discorre sobre os cuidados na gestação, o pré-natal, preparo para o parto, aleitamento materno, saúde do recém nascido até a adolescência. E a massagem faz parte dos cuidados rotineiros com o bebê. Da mesma forma que, aqui no ocidente, é corriqueiro limpar o umbiguinho, dar banho, trocar fraldas… lá as mães massageiam os bebês como parte da rotina diária.

A Shantala, como é conhecida, chegou aqui no ocidente através do médico francês Frédérick Leboyer. Ele estava viajando pela Índia quando viu uma mãe massageando o seu bebê, sentada numa calçada de Calcutá. Pediu para registrar o momento com fotos e também anotou os movimentos que ela fazia. Ele ficou encantado com o carinho e com a ligação desta mãe com o seu bebê. Trouxe a massagem para o ocidente e é em homenagem a esta mãe que o nome da técnica ficou sendo Shantala, o nome dela.

A massagem traz inúmeros benefícios para mãe e bebê. Ela ajuda na transição da vida intra-uterina para esta aqui fora, tão ampla e fria. Estimula os sentidos e contribui para o desenvolvimento do sistema imune e neurológico do bebê. E, além de tudo, traz conforto, carinho, amor, estreita o vínculo mãe/bebê. O óleo hidrata, nutre e fortalece a pele, melhorando sua cor e textura e deixando-a macia. Os movimentos rítmicos aliviam a tensão e, portanto, diminuem as cólicas, o bebê dorme melhor e fica mais tranqüilo.

Para começar não é preciso ser nenhum expert em massagem. Depois, se você sentir necessidade e tiver interesse, existem cursos específicos para aprender a fazer massagem em bebês. Mas, no início, não é necessário se ater a nenhuma técnica muito específica. Apenas experimente, tente! Veja como você se sente e como o seu bebê reage!

Você pode fazer a massagem sentada no chão com os bebês sobre as pernas (como a Shantala, isso aumenta o contato corporal com o bebê e é mais benéfico ainda) ou sobre um tapetinho (tatame, mat). Mas se as suas costas não permitem, pode ser em cima do trocador mesmo. Não vamos ser rígidos, não é?

Use um bom óleo VEGETAL – isso é importantíssimo – nada de óleos para bebês que encontramos nas drogarias e supermercados! Leia o rótulo e veja que eles contêm glicerina, e isso não é bom do ponto de vista do Ayurveda, já que o óleo vai ser absorvido pela pele. Na dúvida, use óleo de amêndoas doces puro, ou um óleo de semente de uva com umas gotinhas de óleo essencial de lavanda, por exemplo. Na Índia existem óleos próprios para massagem, que são medicinais. Geralmente é o óleo de gergelim medicado com ervas específicas para bebês como o Bala (pronuncia-se balá – Sida cordifoglia) eAshvagandha (Withania somnifera). Uma indicação interessante é usar o nosso azeite de oliva mesmo. Ele tem efeito medicinal porque é rico em vitamina E, que é comprovadamente anti-oxidante, proporcionando uma pele lustrosa e saudável.

É importante lembrar-se de seguir sempre a seqüência: rosto, pescoço, braços, tórax, abdome, coxas, pernas e pés. Depois, vire o bebê de bruços e massageie as costas e as nádegas. Em cada grande articulação como ombros, cotovelos, quadris, joelhos e tornozelos, capriche um pouco mais nos movimentos circulares. Deixe-se levar por seus instintos e faça o movimento que achar adequado. Veja o que seu bebê gosta! Não precisa ser nada muito complexo, apenas um vai-vem ritmado. E também não precisa demorar muito. Ao todo, a massagem deve durar no máximo uns dez minutos, para o bebê não sentir frio. (Na Índia faz um calor danado… as mães indianas não se apressam!) Nos dias mais quentes e com os bebês mais crescidinhos, você também pode demorar mais, naturalmente! E nos dias frios, aqueça o ambiente.

Converse, cante, faça gracinhas e caretas para o seu bebê enquanto o massageia. Desfrute deste momento tão gostoso! É para ser um momento prazeroso para os dois. Caso o bebê demonstre algum desconforto, pare aquela manobra, experimente outra, ou interrompa a massagem. Lembre-se que nada é obrigatório!

A massagem só é contra-indicada na vigência de febre, resfriado com coriza, logo após a mamada ou refeição ou se o bebê estiver com fome.

E, agora que descomplicou, vamos abusar de mais uma forma de amor: as mãos!

“Sim, os bebês tem necessidade de leite,

Mas muito mais de serem amados e receberem carinho

Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados”


http://www.angelino.com.br/blog/2011/07/descomplicando-a-massagem-para-bebes/

Um comentário:

Silvia disse...

Obrigada, queridíssima Laura...!