Todas as vezes que recebo as terapias das enfermeiras indianas fico admirando seus adornos.
As mulheres indianas estão sempre muito coloridas e cheias de enfeites. O saree, a kurta, a salwar kameez e a lehenga são sempre usados com muitas pulseiras e brincos. É difícil encontrar alguma indiana sem algum enfeite, mesmo aquelas que trabalham nas construções.
Fico fascinada com tanta beleza, cores e brilhos. Aqui no sul da Índia, por a maioria da população ser muçulmana, os adornos são predominantemente em ouro... As enfermeiras do hospital, mesmo tendo poucas condições finaceiras estão sempre com os braços cheios de ouro, assim como brincos e colares e pingentes.
Existem várias lojas que vendem jóias por aqui. Comprar ouro aqui é muito fácil e barato comparado ao preço das jóias no Brasil.
Mas as pulseiras que mais gosto são iguais as das fotos acima. Existem modelos de plástico, de vidro, de metal, de tecido, com brilhos, sem brilho, com espelhinhos colados, etc... Uma variedade infindável... e nas mais variadas cores. Estes modelos são mais comuns no norte da Índia, principalmente no Rajastão (Jaipur, Agra, Jodphur).É difícil escolher. E o preço varia de acordo os modelos, mas mesmo assim são muito baratas. Paz e conhecimento a todos
Diariamente aqui na Índia, experienciamos novas situações, emoções, e temos a oportunidade de conhecer novos hábitos e costumes tão diferentes dos nossos. Objetos, roupas, música, utensílios domésticos, uma série de coisas completamente estranhas para nós, mas a medida que vamos mergulhando mais fundo nesta cultura tão rica da Índia, descobrimos que tudo tem motivo, conexão, explicação.
A vassoura indiana é um exemplo disto. A primeira vista parece terrível utiliza-la, pois temos que nos manter curvados. Os indianos estão acostumados a reverenciar as pessoas e deuses em suas práticas religiosas, então não há nada de incomum e terrível para eles.
Ela é feita de palha natural, não há cabo de madeira nem de ferro, e por incrível que pareça funciona muito bem. Cheguei a testar seu uso aqui no hospital, e é muito diferente das vassouras que estamos acostumados a usar, ela é bem macia e remove a poeira de uma área maior.
Estamos bem aqui. O tratamento está correndo dentro do esperado.
Tive uma melhora muito grande dos sintomas que haviam aparecido devido a massagem e aos remédios. É como se alguns sintomas estivessem em standby e os procedimentos começaram a fazer as toxinas do corpo se “mexerem”, e, por isso, automaticamente surgiram as reações físicas ruins que estavam encubadas em meu organismo.
Nosso corpo é muito sensível e coloca-lo em equilíbrio é bastante difícil. Você tenta concertar aqui, mas estraga ali, e tenta arrumar ali e aparece outro problema lá... É um sistema complexo e todo interligado. O ayurveda consegue remover as toxinas sem alterar demasiadamente o nosso equilíbrio. O corpo pode reagir, mas o médico interage buscando uma maneira de minimizar as reações passageiras, ao mesmo tempo que nos limpa, estabelece um novo padrão para o nosso sistema.
Hoje começarei uma série de procedimentos novos. Já os fiz no primeiro tratamento, então já sei bem o que vai acontecer... mas os resultados devem ser bem diferentes, já que minha condição de saúde atual é completamente diferente de quando estava com fortes sintomas da E.M.
Farei uma semana de Basti conjugado a massagens e uma série de medicamentos... Esta terapia é aplicada através do esfíncter renal com sondas apropriadas, comumente conhecidas como clister, sendo muito importante a temperatura adequada dos líquidos utilizados.
O Basti é considerado o melhor tratamento para reorganizar o dosha Vata. Pelo fato de que o Vata é a força que está por traz de toda retenção e eliminação dos diversos processos do nosso organismo, sendo a causa principal das doenças dos tecidos e dos órgãos.
Adequadamente administrado ele ajuda a rejuvenescer o corpo gerando força e uma vida longa, melhorando também a pele e a voz.
Existem dois tipos de basti: um de óleo e o outro de decocção de ervas. O primeiro consiste numa preparação contendo óleo vegetal que varia entre 50 e 100ml e é indicado para casos de Vata excessivamente agravado. Por si só pode ser considerado uma terapia. O segundo é feito com ervas purgativas variando de 700ml e 1,5 litros, variando de acordo com a gravidade da doença e as condições do paciente, e deve ser combinado com a aplicação prévia do enema de óleo.
Recomendado para diversas desordens nervosas, gastrointestinais, perda de força, fraqueza muscular, febre, dor de cabeça, infertilidade, cálculos renais, esquizofrenia, transtornos psiquiátricos, etc.
Os programas de televisão na Índia são sempre muito coloridos e engraçados. Existe sempre um drama familiar e um romance proibido. Tenho assistido uma novela indiana onde aparece uma Índia muito mais organizada e limpa.
Quando vemos um flash da rua podemos notar que o cenário foi completamente retocado. Não há sujeira, confusão no trânsito e muitas pessoas circulando. Uma Índia dos sonhos, mas sem perder seu aspecto rico de cores e de detalhes culturais.
Nas cenas dentro de casa, os cenários são extraordinários, as casas parecem palácios e as vestimentas dos mais ricos são fantásticas, transbordam em cores, brilhos e designs. A quantidade de jóias usadas pelas mulheres também impressionam.
Mas o que mais chama atenção é a importância que dão às expressões faciais durante o drama familiar. De repente o programa entra em câmara lenta com um zoom no rosto do artista para enfatizar sua emoção. Como no teatro indiano, o Kathakali, as expressões emocionais são o ponto alto.
E é fácil se dar conta de que no dia-a-dia os indianos são atentos as nossas expressões. Mesmo sem um comunicação perfeita entre nós, eles sabem perfeitamente quando estamos gostando ou não de alguma situação.
O médico sabe pelo primeiro contato, na visita da manhã, se estou bem, apenas olhando minha face. Na cantina, antes de falarmos qualquer coisa, os garçons e os outros pacientes, que já fizemos amizade, reconhecem nosso humor do dia pela simples observação de nossos rostos. O que conversamos depois é apenas um adorno ao que interessa, o nosso estado de espírito.
Só para distrair um pouco da rotina do hospital vou falar de transporte na Índia.
Falar sobre transporte na Índia é algo infindável... reclamamos constantemente da confusão do trânsito no Brasil, dos engarrafamentos, do excesso de velocidade, da conservação dos carros e caminhões, mas aqui na Índia é tudo muito mais caótico, porém, funciona perfeitamente.
Nas grande avenidas, milhares de carros, ônibus, bicicletas e caminhões dividem os espaço com vacas que muitas vezes insistem em ficar deitadas bem no meio da via... eles dão um jeitinho indiano e tudo continua a funcionar... é preciso só ter paciência.
Um dos meios de transporte mais utilizados é o rickshaw. Um pequeno carrinho de três rodas que tem capacidade para três pessoas. O motorista e mais duas pessoas atras, mas é claro, estamos falando de Índia, e muitas vezes podemos ver rickishaws lotados, com 6, 7, 10 pessoas. Inimaginável...mas eles conseguem.
Os caminhões são sempre muito coloridos e você sempre encontra atras deles e dos demais veículos a expressão “Please Horn”. Ou seja, “Por favor, buzine” . O barulho nas ruas é constante, os motoristas buzinam o tempo todo, para avisar que estão atrás ou que querem ultrapassar.
Como nos no Brasil que estávamos acostumados com os fusquinhas até pouco tempo atrás dominando o trânsito nas ruas, os indianos possuem um carro inglês, o Ambassador. Geralmente na cor branca, seu modelo não muda a décadas, a não ser pela moderna opção do ar-condicionado. Muito maior que nosso fusquinha e mais confortável é um prazer viajar nele. Com sua velocidade moderada sentimo-nos mais seguros nas estradas do país. E todo o lugar que ele aparece ganha um charme a mais, lembrando os anos 50 no Brasil. Na clínica (veja na foto) eles sempre aparecem embaixo de nossa varanda e sentimos como se tivéssemos entrado numa máquina do tempo.
Nas grandes cidades é comum vermos ônibus de dois andares como os de Londres, porém com as peculiaridades indianas, lotados.
Selecionei algumas fotos que tinha de outras viagens e desta também, para vocês conhecerem um pouco mais dos transportes da Índia.
Porém, o mais curioso é ver um macaco tomando carona numa bicicleta. Parece que na Índia as diferenças são REALMENTE aceitas.
O tratamento continua bem. O remédios continuam os mesmos, e apenas ganhei mais alguns para tomar.
Costumo ficar deitada relaxando por uma hora, quando termina a massagem. Há alguns dias atrás comecei a sentir uma forte dor de ouvido quando acabei a massagem, em seguida fiquei completamente surda de um deles. O médico não explicou o motivo, mas acredito que seja devido ao óleo da massagem que às vezes cai dentro do ouvido.
Passei então a receber nos últimos três dias a visita de mais uma enfermeira, na parte da manhã. Ela passou a administrar uma quantidade enorme de óleo medicado em cada ouvido. No momento fica tudo pior, até os olhos ardem, mas depois vem um alívio e o ouvido abre completamente.
Agora já voltei a escutar quase que normalmente, mas o procedimento ainda deve continuar. As dores no corpo passaram... sinto-me mais relaxada e calma... a terapia com óleo quente começa a amolecer meu corpo, minha mente e os benefícios começarão a surgir em breve.
Não há regras, não há formulas exatas do que se fazer... o médico avalia meu estado a cada dia... define o que deve ser mantido ou mudado individualmente. Os procedimentos não são padronizados para determinadas doenças, ou tipos de dosha... são na verdade específicos para cada caso em particular.
(Na sequência: Varanda da clínica, entrada do museu e fila do hospital ao público carente.)
Ontem meu marido visitou o museu do hospital. Infelizmente, não pude acompanhá-lo, pois é em outro prédio. E como falei, estou internada e não tenho como sair. O museu é ao lado do prédio que oferece consulta gratuitamente para qualquer pessoa pobre. Por dia são mais de 1.000 pessoas se consultando. E detalhe, estamos falando de um hospital PARTICULAR, que não recebe nenhuma ajuda do governo. Impressionante, não?
Além das consultas, este outro prédio, chamado de O.P. (out pacient) também tem capacidade para 170 internações gratuitas. Onde as pessoas recebem a mesma atenção e os mesmos recursos que estão me aplicando. Tudo DE GRAÇA!!!
O atual médico chefe é bem velhinho, disseram-me que possui 96 anos. Quando fiquei sabendo de sua idade pensei que não tivesse muitas atividades no hospital, afinal 96 anos é muita idade até para quem trabalha com saúde.
No final da visita ao museu meu marido comprou um DVD que conta a história do hospital e do ayurveda. A cena que achei mais bonita foi a deste médico chefe visitando os pacientes que são atendidos e internados no O.P., ou seja, no hospital de caridade. Fomos dormir em seguida e peguei no sono imaginando como seria bom se ele ainda fizesse visitas e que elas incluíssem os pacientes do hospital particular. Parecia-me pura fantasia, mas tinha um sabor de estar sendo protegida por alguém que carrega a responsabilidade de perpetuar o Ayurveda no planeta.
Pela manhã demoramos a receber a visita do médico que me acompanha. Ele tinha gastado muito tempo no primeiro quarto, pois a paciente, uma senhora obesa, teve algumas complicações.
Terminada a minha visita médica, fomos para o corredor do hospital, que possui uma varanda, para observar o movimento do jardim do hospital. Encontramos o paciente do segundo quarto, o nosso é o terceiro, que puxou conversa. Mais um indiano que trabalha nos E.U.A. e sofre de problemas na coluna.
Ele conhece profundamente o hospital, pois já estivera outras vezes com familiares, e resolveu fazer um breve comentário sobre o início do hospital e sobre o atual administrador, o médico chefe. Por incrível que pareça, neste exato momento, vemos sair do primeiro quarto o meu médico acompanhado do médico chefe.
Nossa conversa parou imediatamente e ficamos apenas admirando o caminhar firme e suave deste homem de tanta idade e tamanha saúde. Passou por nos e nos cumprimentou com um gesto de cabeça e seguiu a frente para visitar outros pacientes com situações graves.
Estava enganada, ele continua a trabalhar e a visitar os pacientes mesmo os que pagam pelo tratamento, além de administrar vários estabelecimentos do próprio hospital (o prédio de publicações, o herbário, a escola de Kathakali, a fábrica de remédios, as farmácias, etc...). Inacreditável.
Como lição, ainda percebi que sonhos se realizam. NUNCA DESISTA DE UM SONHO!!!
Painel na fachada do hospital. São os antigos Vaidyas (médicos) trabalhando.
Impressões desagradáveis começam a tomar conta de meu corpo... dores na cabeça, fortes dores nos olhos, e tremor na perna...parece que os sintomas desagradáveis, que não me acompanhavam mais, estão por surgir novamente... mas sei que isto é normal.
Meu sistema nervoso está sendo estimulado, sedado, tratado... muita coisa pode acontecer.... ter calma, clareza, é fundamental... Durante estas terapias geralmente nossas dores, desconfortos, incapacidades, tudo, tudo piora... para que depois, gradualmente, sejam eliminadas do nosso corpo.
Não há regras e previsões do que pode acontecer, deve-se apenas observar a cada dia o que ocorre antes, durante e após as terapias. O acompanhamento do médico experiente é indispensável, principalmente nos casos mais graves.
Um dia você pode estar bem, para no outro dia estar mal. Estas oscilações fazem parte do processo. Os resultados surgem gradualmente, após um, dois, quatro meses, tudo depende de como seu organismo vai reagir a tudo isso.
Para nossas mentes ocidentais é tudo muito diferente, queremos um alívio imediato e apenas melhorar, não nos permitimos esperar, esperar.....
Há 3 dias comecei um tratamento novo, uma terapia chamada Pizhichil. A primeira vista parece mais um tipo de massagem, um pouco mais sofisticada e com várias pessoas aplicando, mas é uma poderosa e profunda terapia.
Durante o Pzhichil fico deitada na maca de massagem. As enfermeiras mergulham pequenos pedaços de pano em um óleo quente e medicado e em seguida espremem em cima do corpo, para depois massagear, ou, então, colocar o pano embebido no óleo diretamente sobre a pele. Esta é um terapia muito efetiva para doenças do Dosha Vata e outras manifestações como artrite, distrofia muscular, dores na coluna, escolioses, esclerose múltipla, paralisia, etc..
A aplicação de óleo é apenas do pescoço para baixo, pois o tipo de óleo a ser usado na cabeça deve ser sempre diferente. Caso isso não aconteça alguns efeitos desagradáveis podem surgir. No outro hospital já havia feito esta terapia, mas era completamente diferente, aqui as enfermeiras são bem mais preparadas, e agora são 4 ao mesmo tempo me aplicando o óleo e massageando.
As sensações são as mais diferentes... durante exatamente uma hora fico completamente banhada em óleo quente e recebendo os mais variados toques. Cada uma das enfermeiras tem uma maneira de fazer a massagem. O cérebro parece entrar em curto-circuito, pois os movimentos alternados e totalmente diferentes geram sensações bem distintas em cada parte do corpo.
O corpo e a mente vão sendo anestesiados, não sei se pelo óleo, pela massagem, pelas variedades de mãos fazendo movimentos que não se combinam ou pela conjugação de tudo isto, mas sei que tudo relaxa profundamente. É difícil manter os olhos abertos, mas dormir é extremamente proibido.
De tempos em tempos, as enfermeiras trocam de lugar e os toques se diferem completamente...mais uma vez minha cabeça se confunde e o torpor aumenta ainda mais... Algumas sensações desagradáveis também acontecem, a maca é muito dura e os ossos pressionam a pele e acabo por sentir um pouco de dor... que, as vezes, são anuladas pelo óleo quente derramado em meu corpo.
Como em uma sinfonia...cada uma das enfermeiras com sua tarefa...mas no momento de jogar o óleo quente sobre o corpo todas juntas, ao mesmo tempo... e depois cada uma parte para seu trabalho individual.
O silêncio, as vezes, é interrompido. Uma das enfermeiras é muito tagarela... e os sons totalmente desconhecidos geram curiosidade. Do que estão falando? As vezes riem muito... o que estão vendo de engraçado? Será que é de mim? Sei lá...pouco importa...mas gera um pouco de desconforto, porém, a medida que os dias vão passando vai se suavizando...
Durante a terapia, as vezes, elas perguntam como estou me sentindo ou se o óleo esta quente... e acabei por lembrar da palavra “quente” em malayalam, a língua falada aqui no Kerala, pois havia aprendido algumas palavras na outra clínica... Eu prontamente respondi “chuda”. Elas se olharam com ar de surpresa e espanto...provavelmente, estavam falando coisas sobre mim, e logo perguntaram apavoradas. “Você entende malayalam?” E eu, rindo, respondi que não, apenas sabia algumas palavras... uma delas suspirou aliviadamente e então todas começaram a rir...
Após a terapia, o sono volta a me perturbar, mas dormir nem pensar... é uma luta constante...o corpo cansado, a mente anestesiada, e várias sensações à flor da pele...
Devo ficar deitada por mais uma hora, para absorver bem o óleo e relaxar o corpo.
...............Hanumam em meditacao. A rainha com a flor na mao. A rainha e o rei.
Bhima e o macaco em seu caminho. Bhima e Hanuman Estávamos no quarto e ouvimos um forte batucar de tambores. O som vinha do templo do outro lado da rua. Pensamos tratar-se de mais um ritual religioso. Estávamos enganados. Era a chamada para uma apresentação teatral. Ao invés de fazerem propagandas, eles ficam por 30 minutos tocando tambores e instrumentos de metal para avisar que se iniciará uma peça de teatro, o Kathakali. Os moradores da redondeza sabem que se trata de um espetáculo e vão surgindo aos poucos e ocupando as cadeiras, enquanto os tambores continuam...
Os pacientes do hospital curiosos com o som insistente acabam por se informarem do que está para acontecer e se organizam rapidamente para assistir o teatro. Seriam duas horas e meia de apresentação.
Em pouco tempo vemos da sacada de nosso quarto levas de pacientes saírem pelo portão do hospital rumo ao templo.
Nós também nos encaminhamos para lá, era impossível ignorar o som. Havia um palco montado na frente do templo, e em pouco tempo iniciou-se o espetáculo.
Conseguimos um lugar na primeira fileira e pudemos desfrutar da performance dos artistas. As máscaras são feitas com tinturas de cascas de árvores e papel. As expressões de face e mãos são fantásticas. E como num cinema mudo, a história vai se desenrolando sem falas, apenas com expressões corporais. Os olhos se movimentam como os de bonecos e a exibição é ritmada com os sons dos instrumentos.
A cena foi retirada de um trecho do épico chamado de Mahabharatha, que conta sobre o período que os reis e rainhas viviam exilado na floresta.
A representação era sobre um momento de amor entre o rei Bhima e a rainha Droupadi, quando ela encontra uma flor exótica e pede a Bhima que lhe traga mais flores.
Bhima, que sempre atende os pedidos de sua amada, entra na floresta em busca de mais exemplares da flor que encantara sua rainha. Com sua força e poder assusta todos os animais da floresta, até que desperta o deus macaco Hanuman que se encontrava em profunda meditação. O poderoso Hanuman decide pregar uma peça em Bhima e se coloca em seu caminho imitando um macaco doente e inerte. Bhima fica enfurecido e ordena que o macaco sai imediatamente de seu caminho, mas Hanuman diz que por ser velho não possui mais força para se mover. Enraivecido, Hanuman tenta retirar o velho macaco com suas próprias mãos. Porém, percebe que o macaco não se move um milímetro. Cansado, desiste da idéia, e percebendo os poderes do velho macaco, pede que revele sua real identidade. Hanuman, enfim, se mostra e revela que no passado fora irmão de Bhima. E que devido a seu vínculo ancestral irá ajudá-lo a encontrar as flores para sua amada.
Aqui no hospital está tudo tranquilo. Continuo os medicamentos e a partir de hoje novas terapias serão aplicadas. Ainda não sei exatamente o que, mas assim que souber conto para vocês.
Não tenho permissão para sair do hospital. Devo ficar aqui dentro o tempo todo, mas para ir ao templo que fica na frente do hospital não há restrição.
Meu marido pode sair e voltar quando quiser. Então, ele aproveita para passear na pequena cidade, e fazer algumas compras diárias de frutas, papel higiênico ( que é muito caro aqui), e desfrutar dos doces indianos. Eu não posso comer nada além da dieta prescrita pelo médico, mas dá a maior vontade, pois o cheiro e a aparência dos doces são maravilhoso.
Nas fotos vocês podem ter uma idéia de uma loja indiana de biscoitos e doces. É tudo muito colorido e organizado. E a exposição dos biscoitos aumenta ainda a mais a curiosidade de provar cada um deles.
Os freqüentadores da loja são variados, mas a presença de mulheres muçulmanas é constante.
Como pode-se perceber na foto. Há muitas mesquitas na cidade, e podemos ouvir seus cânticos e determinadas horas do dia.
Todo dia ele traz alguma coisa diferente para comer... mas estes bolinhos da outra foto são seus preferidos. Um deles é feito de coco queimado e açúcar, o outro é também de coco, e o amarelo é de uva passa, mas a massa ainda não descobrimos do que se trata. Assim que conseguir a receita escrevo aqui...
(Templo Shivaista - estou do lado direito com as canadenses)
Ontem foi o primeiro dia do ano. Os indianos não comemoram o ano novo como nós. Provavelmente por que não existe a vinculação de nenhum motivo religioso atrelado à virada do ano.
Mesmo assim, no templo na frente do hospital houve uma celebração. As pessoas circunvolviam o templo enquanto eram proferidos mantras e os sacerdotes ascendiam as lamparinas na entrada da construção.
A atmosfera era entorpecedora, o cheiro de incensos, o flamejar das chamas, e os cantos ininterruptos faziam nossas mentes vagarem no vazio.
Dentro do templo o ambiente era mais intenso em todos os aspectos, mas não nos atrevemos a entrar.
Do lado de fora vários cães uivavam dependendo do mantra proferido pelos sacerdotes. A simplicidade dos sacerdotes era impressionante, enquanto os indianos despiam apenas seus pés deixando os sapatos do lado de fora do templo, os sacerdotes usavam apenas um pano enrolado na cintura de cor açafrão, símbolo da renúncia à vida material.
Encontramos duas senhoras indianas na frente do templo que puxaram conversa, e apesar de possuírem aparência indiana , se apresentaram como canadenses. Mais uma vez ouvimos a mesma história diária: Indianos que moram no exterior ficam doentes, tentam vários tratamentos e remédios alopáticos, mas sem sucesso e com sérios efeitos colaterais. Então, mais tarde, quando se encontram sem alternativas, resolvem voltar ao seu país de origem em busca de tratamento e cura para suas doenças.
Estou tentando fazer o up load do vídeo, por enquanto, ficamos com as fotos. A internet daqui é muito lenta.
Feliz Ano Novo!!! Que o ano de 2009 traga muitas realizações e conhecimento para todos nós. E que possamos realmente desfrutar das verdadeiras e mais puras sensações, vivências e experiências desta vida, gerando crescimento para nós mesmos e aqueles que estão ao nosso redor.
.... Bom, e por aqui, tudo normal... o tratamento continua, os remédios foram trocados, já que respondi bem ao primeiro e seus efeitos, que deveriam vir em 7 dias, já aconteceram... ou seja... já consegui fazer a limpeza do estômago e intestino, pois estava seguindo a dieta correta em casa e meu corpo estava com poucas toxinas e respondeu rapidamente aos medicamentos.
Hoje vou apenas descansar para amanhã começar as terapias mais intensas... O corpo precisa de um tempo para se acalmar, responder aos remédios e, conseqüentemente, aflorar os benefícios seguindo rumo a um organismo saudável...tudo é feito com muita calma e tranqüilidade, por isso é muito importante ao decidir fazer um tratamento ayurvédico, PARAR!!! Parar completamente suas atividades...não dirigir, não trabalhar, não manter a rotina agitada....tudo isso prejudica o resultado e ainda pode comprometer ainda mais sua saúde!!!
Segue aí um video do meu quarto aqui no hospital para vocês terem uma idéia de como é a estrutura adequada de um tratamento ayurvédico. No mesmo quarto em que dormimos existe uma maca de terapia ayurvédica e um banheiro bem perto do local onde se aplica a massagem. O chão do banheiro é com piso que evita tombos após a terapia, pois saímos da maca com os pés oleados. Muitas janelas para ventilar o cheiro do óleo após o término da terapia, porém, sem frestas para que quando estiverem fechadas evitem o ar externo, mantendo o ambiente aquecido durante a terapia.
O tratamento está correndo bem, continuo apenas tomando medicamentos para limpar meu estômago e intestinos. Para o Ayurveda todas as doenças começam devido ao mau funcionamento do sistema digestivo, e este deve ser tratado apropriadamente.
Durante as terapias que talvez seguirão, como massagens, enemas, sauna, etc, as toxinas acumuladas nos sistemas digestivos e excretores serão eliminadas com a ajuda de outros medicamentos e com a dieta correta.
O descanso também é muito importante. Tenho ficado deitada a maior parte do tempo, e sem dormir durante o dia, para não agravar o Vata dosha.
Hoje de manha pude tomar meu café da manha normalmente na cantina, pois a medicação anterior já acabou, e voltei a comer frutas, pelo menos no dia de hoje...
A cantina está sempre cheia, pois há pelo menos 600 pessoas internadas no hospital, com um número bastante expressivo de ocidentais, principalmente da Alemanha e França. Dividimos a mesa com um casal de alemães, que já estão na clinica há algumas semanas, e já tinham vindo aqui outras vezes. Elogiaram bastante o hospital e estão bastantes felizes com os resultados...
Contaram um pouco do que eles gostam na Índia...e ficamos bastante surpresos. O casal deve ter em torno de 70, 75 anos, não menos que isso, e quando saírem da clinica, daqui a uma semana irão para Goa, o paraíso dos europeus, onde há muita praia com coqueiros, bebidas, festas, muitas festas regadas a música eletrônica, tudo a um preço irrisório.
Estão ansiosos para ir para lá.. Eles adoram Goa, pois podem dançar e desfrutar de todo o seu tempo em festas.... muito engraçado... envelheceram e continuam com os mesmos hábitos de adolescentes quando começaram a vir para Índia em busca de raves, drogas e muita praia. Para quem não sabe, a musica trance surgiu em Goa.
Uma Índia nada espiritual, tranquila e zen como muitos pensam... aqui você encontra um pouco de tudo...depende apenas de seu foco, seja ele espiritual, econômico, médico ou apenas viajar ou desfrutar de comida, festas e praias.
O que você vê na Índia depende muito de seu olhar...achar que é um país miserável, cheio de pobreza, pessoas feias e sujas, um local terrível é pura ignorância, preconceito e desconhecimento dos fatos que realmente aqui acontecem...
É claro que como em qualquer lugar do MUNDO, há pessoas pobres, violência e tristeza, mas a maneira como os indianos encaram tudo isso faz toda a diferença para uma sociedade.
Aprendemos muito no dia a dia, todas as situações que nos acontecem nos trazem conhecimento, se estamos dispostos e abertos... a Índia nos testa, quebra nossos conceitos, mexe com nosso ego, nossos anseios, desejos, transforma nossa vida, cria oportunidades, destrói outras, mostra o que é mais importante e relevante na vida, e ainda, estampa em nossas faces nossos comportamentos e modos de vida excessivamente consumistas ocidentais tão prejudicais à nos mesmos quanto ao meio ambiente e sociedade que vivemos...