sábado, 24 de janeiro de 2009

A rotina diária para saúde


Muitos indianos praticam o Dinacharya as 5 horas da manhã nas margens dos rios, principalmente do Rio Ganges, ou em casa.
Para o Ayurveda a higiene pessoal, a dieta alimentar e o estilo de vida que levamos são fundamentais para a boa saúde. Para possuirmos uma condição saudável o Ayurveda acredita que temos de seguir uma rotina específica diária, chamada de DINACHARYA e também uma rotina sazonal, conforme as estações do ano, conhecida como RITUCHARYA.

Para os sábios indianos do Ayurveda, tal como o sábio Sushruta, a idéia de saúde é definida como a situação onde os três doshas ( Vata, Pitta e Kapha) estão num estado de equilíbrio. A digestão e o metabolismo do corpo estão adequadamente ativos, ou seja, o fogo interno (Agni) está nem mais nem menos ativo, e os tecidos corporais, conhecidos como DHATUS, bem como os sistemas excretores do corpo se encontram num estado normal. Quando estas condições estão presentes num indivíduo, seu estado físico e mental mantêm-se em harmonia, saúde e felicidade.

Se seguirmos as orientações ayurvédicas de um apropriado regime de vida e evitarmos os desvios e a imprudência em nossas rotinas podemos ter uma vida saudável e feliz.

Os tratamentos ayurvédicos acontecem quando, na maioria dos casos, fomos indulgentes com nós mesmos e necessitamos restabelecer o mecanismo correto do que foi perturbado.

Dinacharya (rotinas diárias) podem ser sinteticamente listada.
A orientação básica é acordar antes do nascer do sol, momento do dia conhecido como Brahma muhurta, que é mais favorável para as práticas que se seguem:

1. LIMPEZAS: Cuidar do corpo promovendo sua limpeza, que envolve escovar os dentes, raspar a língua retirando as toxinas que o estômago devolveu à boca durante a noite; gargarejar e bochechar com o mesmo propósito, fazer uma auto-massagem com óleo apropriado para seu dosha; aplicar óleo ou ghee nos orifícios como narinas e orelhas; tomar banho, fazer a barba, aparar cabelos e unhas, vestir roupas limpas, perfumar-se e enfeitar-se para o dia.

2. SATISFAZER AS URGÊNCIAS NATURAIS: Suprimir a vontade de ir ao banheiro é extremamente nocivo ao corpo, isso inclui: evacuar, urinar, liberar gases estomacais e intestinais, espirrar, beber água, saciar a fome, dormir, ejacular, vomitar quando tiver vontade e bocejar. Trancar as vontades naturais pode provocar várias doenças. Para o ayurveda o que deve se suprimir é as urgências mentais , tais como, a raiva, a inveja o medo, a vaidade, o ciúmes....

3. EXERCÍCIOS: Os Vatas devem evitar atividades aeróbicas, os Kaphas devem praticar exercícios intensos e os Pittas exercícios moderados. Praticar yoga é sempre indicado, exceto durante tratamentos severos de saúde, a não ser que se esteja sob orientação de um professor experiente na patologia apresentada.

4. DISCIPLINA MORAL: Para o ayurveda um rotina de observância da atitudes mentais e morais são fundamentais para não gerarmos estresse em nosso organismo e não cairmos doente. Julgamentos equivocados sobre os acontecimentos da vida também provocam sofrimentos e conseqüentemente patologias mais a frente. Uma prática religiosa também é recomendada para manter o homem com clareza sobre a sua importância no projeto divino e diminuir o egoísmo. Portanto, respeitar os santos, mestres e professores, ajudar o próximo, manter-se esperançoso diante das dificuldades da vida são hábitos que geram SAÚDE.

Namastê a todos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Jardins e palácios indianos



(Taj Mahal, Palácio Amber (Jaipur), jardim do Hospital)

Estou passando por momentos delicados nos últimos dias. A terapia do enema debilita bastante o corpo, e fico muito cansada e fraca. Neste momento preciso de repouso e muita calma. Mas sinto saudades de passear pelo jardim que tem dentro do hospital.

Para me distrair fiquei revendo as fotos de minha primeira viagem na Índia (2005), quando estava completamente saudável. Visitei muitos palácios e seus fantásticos jardins.
Quando vi um trecho da novela Caminho das Índias pela a internet lembrei do Palácio em Jaipur. Sua arquitetura é fantástica e seus jardins são lindos. Os jardins externos são bastante coloridos e belos. Há vários elefantes com os corpos pintados e macacos andando por toda parte. E os jardins de dentro do Palácio, são ainda mais riquíssimos de detalhes. Todas as construções e os jardins são baseados nos tratados indianos sobre arquitetura, chamado de Vaastu Shastra, que em um próximo post explico melhor.

Um deles fica dentro de um lago e é formado com desenhos diversos, no maior estilo indiano, com pedras separando o gramado, formando uma estampa lindíssima.
Também recordei-me do Taj Mahal e seus jardins, o gramado é lindo, e admirar a construção do Taj Mahal, que na verdade é um mausoléu é como apreciar uma jóia. Alias, muitos chamam-o de Jóia da Índia.
Espero poder melhorar logo para voltar aos meus passeios matutinos no jardim daqui. Apesar de bem simples se comparado aos do Palácios, é muito agradável e refrescante.

Paz e saúde.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A causa de nossas doenças - Parte III



Por último, temos as pessoas de dosha Kapha que são as mais apegadas às situações, e que sentem mais dificuldade de mudar um hábito. Por isso, quando estão fixadas num comportamento que lhes desequilibram criam uma enorme resistência para alterá-los, mesmo sabendo que seria importante para sua saúde e melhor qualidade de vida. A inércia é uma situação que os “kaphas” precisam vencer para obter o sucesso de suas pretensões.

Muitos comportamentos que possuem em sua essência a característica da “inércia” podem prejudicar a vida das pessoas de dosha predominante Kapha. A tendência a comer doces e guloseimas é uma constante na vida destas pessoas. O que os tornam mais sedentários e sujeitos a doenças de acúmulos no corpo, tal como cistos e até tumores.

Comer sorvetes todos os dias, que são gordurosos e de difícil digestão, pode gerar um acúmulo de material não digerido no corpo que com o passar dos anos eclode como um tumor. Mais uma vez não nos damos conta que nossas atitudes no decorrer de anos são responsáveis pela aparição de uma doença e buscamos soluções imediatas, tais como cirurgias. Esquecendo de observar os atos que nos levaram ao desequilíbrio do organismo.

Comportamentos que agravam KAPHA:

- Falta de exercícios.
- Estilo de vida indolente, um comportamento preguiçoso ou apático.
- Consumo excessivo de doces e líquidos.
- Dormir demais, acordar tarde pela manhã ou dormir à tarde.
- Comer demasiadamente, principalmente comidas ricas em carboidratos ou muito nutritivas.
- Durante as épocas de chuva, deixar-se ficar molhado.
- Vestir roupas úmidas e não se secar completamente após o banho, principalmente os cabelos.
- Ficar muito dependente do parceiro, sem praticar mais desapego na relação amorosa.
- Comer sorvetes e outros alimentos gordurosos.
- Evitar um estilo de vida consumista.

Saúde a todos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A causa de nossas doenças - Parte II




A indiana sabe se proteger do sol, enquanto a estrangeira se expõe livremente ao calor.

Tal como as pessoas de dosha VATA, os que possuem constituição PITTA devem observar suas atitudes mais freqüentes, para evitarem hábitos e rotinas que estimulem ainda mais o PITTA.
As pessoas “Pittas” tendem a ter de comportamentos fortes e não costumam aceitar sugestões, sendo facilmente levados a insistirem nos hábitos que os desequilibram. O simples consumo de vinho tinto, que é comumente tido como saudável devido a presença de anti-oxidantes, pode no decorrer de anos gerar problemas de pele, alopecia e, mais tarde, progredir para gastrites ou úlceras estomacais.

Comportamentos que agravam o PITTA:

- Falta de um relacionamento firme, amoroso e estável. Não deve haver espaço para ciúme e competição.
- Muita exposição ao sol.
- Usar roupas demasiadamente fechadas no verão, tais como tailleur e ternos.
- Abusar no consumo de álcool, principalmente destilados e vinho tinto.
- Abusar da pimenta nas refeições, bem como alho e cebola crua.
- Discutir ou conversar usando muitas argumentações.
- Poucas atividades fora de ambientes fechados, ou seja, ficar na rotina trabalho-casa, sem se permitir a passeios em campos verdes ou banhos de cachoeiras ou rios.
- Pouca ingestão de água.
- Excesso de atividades competitivas, tais como futebol, volei e cartas.


Saúde a todos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A causa de nossas doenças - Parte 1

Um grande de número de doenças e problemas crônicos de saúde costumam nos afetar quando estamos por volta dos 30 anos e principalmente após os 50. Boa parte destas manifestações se devem a comportamentos e padrões emocionais, que estão correlacionados com o estilo de vida do mundo moderno.

Vejo que isto fica cada dia mais claro para minha história pessoal, muito de meus hábitos não eram saudáveis e por muito tempo não pude me dar conta disso.

Somos seres formadores de hábitos, e muito de nossos comportamentos são repetições de padrões que aprendemos com as gerações anteriores e que por várias vezes podem estar equivocados.

Vou dar um exemplo bem comum. No mundo ocidental é muito usual se acreditar que ar fresco é bom para saúde. Até certo ponto, não deixa de ser verdade, mas para o ayurveda o que importa é o equilíbrio dos fatores sob o qual nos expomos. Se ficamos submetidos apenas a um aspecto do que nos faz bem por muito tempo acabamos por adoecer. Tudo em excesso parece fazer mal.
Para o ayurveda existem 5 fatores básicos (vento ou frio, fogo ou calor, água ou movimento, terra ou elementos densos e éter ou excesso de pensamentos) com seus subfatores que devem estar sempre presente em nossas vidas. Se exageramos na idéia de pegar ar fresco podemos adquirir um resfriado, que eventualmente poderá progredir no decorrer de anos para um reumatismo num momento mais avançado da vida, sem que percebamos que tudo começou a vários anos atrás com o hábito de se expor demasiadamente ao ar fresco todos os dias.

Muitas pessoas jovens nem parecem sentir o efeito de se expor a um tempo frio, insistindo em usar roupas curtas nestas condições, até mesmo no inverno. Mas caso a constituição da pessoa seja do dosha VATA, como o meu, acabará sofrendo doenças mais sérias, tais como artrite ou reumatismo, que tiveram suas raízes neste hábito ou em outros igualmente agravadores do VATA.

Segue uma relação de COMPORTAMENTOS que desequilibram as pessoas com dosha VATA:

- Muita atividade aeróbica ou dança.
- Excesso de informações e imagens.
- Saídas noturna, causando fadiga e irritação nervosa.
- Corridas e dietas visando perder peso.
- Consumo excessivo de folhas e vegetais crus.
- Muita atividade sexual.
- Muitas conversas no telefone, principalmente no celular.
- Pouco tempo reservado para ficar sozinho.
- Carência de rotina.
- Assistir muitos vídeos, cinema ou TV.
- Muitos desafios emocionais sem o tempo necessário para digeri-los, através de reflexões e apaziguamento emocional.
- Falta de suporte familiar ou emocional.
- Falta de carinho.

Saúde a todos.

Roupa indiana tradicional- Dhoti




Certo dia estávamos assistindo um encontro de alguns pacientes no final do dia. Eles se reuniram na frente do Templo, que fica do outro lado da rua, e fizeram uma fogueira. Depois colocaram um rádio para tocar músicas indianas pops e começaram a dançar em círculos ao redor da fogueira.
Havia gente de toda idade. Uma senhora puxou-me para dançar com eles e aceitei convite, mas logo me dei conta de que o calor da fogueira não estava me fazendo bem e resolvi parar. Eram indianos que admiravam a modernidade e as músicas eletrônicas no estilo indiano.
As mulheres vestiam desde sarees a calças jeans, e os homens usavam roupas ocidentais e o tradicional Doti. O médico chefe da clínica em certo momento juntou-se aos pacientes. Fiquei muito atenta a sua vestimenta, usava apenas o Doti e um pano para cobrir seus ombros. Ele estava com as vestes dos tradicionais indianos do sul da Índia.
Todos pararam de dançar para observar e reverenciar o médico, e percebemos que o Doti somado a pessoa do médico impunha respeito entre os indianos.
Meu marido criou um interesse especial pelo traje, e resolveu comprar um e usá-lo. Um dos pacientes se dispôs a ensiná-lo a vestir.
Trata-se de um tecido de aproximadamente 4 metros, ou de 2 metros. O Doti pode ser de diversas cores, sempre com uma faixa de outra cor, que funciona como uma barra no fim da saia.
Para vestir o doti, deve-se abrir o pano e enrolar na cintura como se fosse uma toalha de banho.
Mas detalhe: tem que deixar sobrando cerca de 50 centímetros aberto na lateral. Como o pano ficará na altura do peito deve-se enrolar até a altura da cintura, e continuar esticada a sobra lateral. Depois de enrolado, deve-se dobrar a parte lateral para frente do corpo duas vezes e prender a parte superior na cintura.
É comum que se segure as duas pontas na hora de se andar na rua, a fim de refrescar as pernas e também evitar um tombo quando se sobe escadas ou ladeiras, já que seu comprimento vai até os calcanhares. As vezes também dobram o pano na altura do joelho e prendem a borda inferior junto a borda da cintura para refrescar o corpo, já que a temperatura aqui está sempre muito alta.
Paz e saúde a todos

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Nova terapia - Patra Potali

Há dois dias atras comecei uma nova terapia. Depois de 14 dias recebendo a terapia Pizhichil que já expliquei anteriormente, meu corpo ficou extremamente saturado de óleo... Para pessoas com desequilíbrio vata, as terapias com bastante óleo são muito recomendadas e eficazes.

No inicio ela me ajudou muito, mas depois meu corpo começou a dar sinais de ressecamento, coceira e muita irritação na pele. O Pitta do meu corpo subiu demais e agora precisamos restabelece-lo.

A nova terapia, conjugada aos mediamentos e aos antigos procedimentos, é chamada Patra Potali. Consiste na aplicação de óleo medicado sobre o corpo e em seguida as enfermeiras começam a esfregar trouxinhas feitas com ervas que foram fritas em algum tipo de óleo medicado e misturadas a outros remédios .
Durante uma hora as enfermeiras fazem movimentos circulares e às vezes dão “batidinhas” no corpo, conjugadas a alongamentos e movimentos nas articulações .

É uma terapia bastante intensa... durante o procedimento algumas sensações desagradáveis aparecem como coceira, tremor e irritabilidade... depois de terminada a terapia, elas secam meu corpo com toalhas e aplicam um óleo de coco medicado a fim de refrescar meu corpo. E em seguida devo ficar deitada mais uma hora para relaxar, e perceber os benefícios do tratamento.
Esta terapia é indicada para fibromialgia, dores musculares, Ler (Lesão por Esforço Repetitivo). Sendo muito eficaz para dores crônicas, paralisia, rigidez, torções, problemas de pele. É também rejuvenescedora. Promovendo ainda a melhor circulação e ajudando na eliminação das toxinas e fluídos do corpo.
Não sei por quanto tempo isto continuará... tenho ainda mais duas semanas aqui no hospital... o médico prolongou minha internação por 1 semana, não sei porquê, mas vim aqui para isto... então tenho que aproveitar cada minuto a mais.
Paz e saúde a todos

domingo, 18 de janeiro de 2009

Pulseiras Indianas



Todas as vezes que recebo as terapias das enfermeiras indianas fico admirando seus adornos.

As mulheres indianas estão sempre muito coloridas e cheias de enfeites. O saree, a kurta, a salwar kameez e a lehenga são sempre usados com muitas pulseiras e brincos. É difícil encontrar alguma indiana sem algum enfeite, mesmo aquelas que trabalham nas construções.

Fico fascinada com tanta beleza, cores e brilhos. Aqui no sul da Índia, por a maioria da população ser muçulmana, os adornos são predominantemente em ouro... As enfermeiras do hospital, mesmo tendo poucas condições finaceiras estão sempre com os braços cheios de ouro, assim como brincos e colares e pingentes.

Existem várias lojas que vendem jóias por aqui. Comprar ouro aqui é muito fácil e barato comparado ao preço das jóias no Brasil.

Mas as pulseiras que mais gosto são iguais as das fotos acima. Existem modelos de plástico, de vidro, de metal, de tecido, com brilhos, sem brilho, com espelhinhos colados, etc... Uma variedade infindável... e nas mais variadas cores. Estes modelos são mais comuns no norte da Índia, principalmente no Rajastão (Jaipur, Agra, Jodphur).É difícil escolher. E o preço varia de acordo os modelos, mas mesmo assim são muito baratas.
Paz e conhecimento a todos

sábado, 17 de janeiro de 2009

Vassoura indiana


Diariamente aqui na Índia, experienciamos novas situações, emoções, e temos a oportunidade de conhecer novos hábitos e costumes tão diferentes dos nossos. Objetos, roupas, música, utensílios domésticos, uma série de coisas completamente estranhas para nós, mas a medida que vamos mergulhando mais fundo nesta cultura tão rica da Índia, descobrimos que tudo tem motivo, conexão, explicação.

A vassoura indiana é um exemplo disto. A primeira vista parece terrível utiliza-la, pois temos que nos manter curvados. Os indianos estão acostumados a reverenciar as pessoas e deuses em suas práticas religiosas, então não há nada de incomum e terrível para eles.

Ela é feita de palha natural, não há cabo de madeira nem de ferro, e por incrível que pareça funciona muito bem. Cheguei a testar seu uso aqui no hospital, e é muito diferente das vassouras que estamos acostumados a usar, ela é bem macia e remove a poeira de uma área maior.

Paz e conhecimento para todos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Basti - enema

Estamos bem aqui. O tratamento está correndo dentro do esperado.

Tive uma melhora muito grande dos sintomas que haviam aparecido devido a massagem e aos remédios. É como se alguns sintomas estivessem em standby e os procedimentos começaram a fazer as toxinas do corpo se “mexerem”, e, por isso, automaticamente surgiram as reações físicas ruins que estavam encubadas em meu organismo.

Nosso corpo é muito sensível e coloca-lo em equilíbrio é bastante difícil. Você tenta concertar aqui, mas estraga ali, e tenta arrumar ali e aparece outro problema lá... É um sistema complexo e todo interligado. O ayurveda consegue remover as toxinas sem alterar demasiadamente o nosso equilíbrio. O corpo pode reagir, mas o médico interage buscando uma maneira de minimizar as reações passageiras, ao mesmo tempo que nos limpa, estabelece um novo padrão para o nosso sistema.

Hoje começarei uma série de procedimentos novos. Já os fiz no primeiro tratamento, então já sei bem o que vai acontecer... mas os resultados devem ser bem diferentes, já que minha condição de saúde atual é completamente diferente de quando estava com fortes sintomas da E.M.

Farei uma semana de Basti conjugado a massagens e uma série de medicamentos... Esta terapia é aplicada através do esfíncter renal com sondas apropriadas, comumente conhecidas como clister, sendo muito importante a temperatura adequada dos líquidos utilizados.

O Basti é considerado o melhor tratamento para reorganizar o dosha Vata. Pelo fato de que o Vata é a força que está por traz de toda retenção e eliminação dos diversos processos do nosso organismo, sendo a causa principal das doenças dos tecidos e dos órgãos.

Adequadamente administrado ele ajuda a rejuvenescer o corpo gerando força e uma vida longa, melhorando também a pele e a voz.

Existem dois tipos de basti: um de óleo e o outro de decocção de ervas.
O primeiro consiste numa preparação contendo óleo vegetal que varia entre 50 e 100ml e é indicado para casos de Vata excessivamente agravado. Por si só pode ser considerado uma terapia. O segundo é feito com ervas purgativas variando de 700ml e 1,5 litros, variando de acordo com a gravidade da doença e as condições do paciente, e deve ser combinado com a aplicação prévia do enema de óleo.

Recomendado para diversas desordens nervosas, gastrointestinais, perda de força, fraqueza muscular, febre, dor de cabeça, infertilidade, cálculos renais, esquizofrenia, transtornos psiquiátricos, etc.

Paz e conhecimento para todos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Novela Indiana





Os programas de televisão na Índia são sempre muito coloridos e engraçados. Existe sempre um drama familiar e um romance proibido. Tenho assistido uma novela indiana onde aparece uma Índia muito mais organizada e limpa.
Quando vemos um flash da rua podemos notar que o cenário foi completamente retocado. Não há sujeira, confusão no trânsito e muitas pessoas circulando. Uma Índia dos sonhos, mas sem perder seu aspecto rico de cores e de detalhes culturais.
Nas cenas dentro de casa, os cenários são extraordinários, as casas parecem palácios e as vestimentas dos mais ricos são fantásticas, transbordam em cores, brilhos e designs. A quantidade de jóias usadas pelas mulheres também impressionam.
Mas o que mais chama atenção é a importância que dão às expressões faciais durante o drama familiar. De repente o programa entra em câmara lenta com um zoom no rosto do artista para enfatizar sua emoção. Como no teatro indiano, o Kathakali, as expressões emocionais são o ponto alto.
E é fácil se dar conta de que no dia-a-dia os indianos são atentos as nossas expressões. Mesmo sem um comunicação perfeita entre nós, eles sabem perfeitamente quando estamos gostando ou não de alguma situação.

O médico sabe pelo primeiro contato, na visita da manhã, se estou bem, apenas olhando minha face. Na cantina, antes de falarmos qualquer coisa, os garçons e os outros pacientes, que já fizemos amizade, reconhecem nosso humor do dia pela simples observação de nossos rostos. O que conversamos depois é apenas um adorno ao que interessa, o nosso estado de espírito.
Paz e saúde a todos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Rickshaw, Ambassador - Transportes da Índia

O ambassador no hospital.


















Só para distrair um pouco da rotina do hospital vou falar de transporte na Índia.
Falar sobre transporte na Índia é algo infindável... reclamamos constantemente da confusão do trânsito no Brasil, dos engarrafamentos, do excesso de velocidade, da conservação dos carros e caminhões, mas aqui na Índia é tudo muito mais caótico, porém, funciona perfeitamente.

Nas grande avenidas, milhares de carros, ônibus, bicicletas e caminhões dividem os espaço com vacas que muitas vezes insistem em ficar deitadas bem no meio da via... eles dão um jeitinho indiano e tudo continua a funcionar... é preciso só ter paciência.

Um dos meios de transporte mais utilizados é o rickshaw. Um pequeno carrinho de três rodas que tem capacidade para três pessoas. O motorista e mais duas pessoas atras, mas é claro, estamos falando de Índia, e muitas vezes podemos ver rickishaws lotados, com 6, 7, 10 pessoas. Inimaginável...mas eles conseguem.

Os caminhões são sempre muito coloridos e você sempre encontra atras deles e dos demais veículos a expressão “Please Horn”. Ou seja, “Por favor, buzine” . O barulho nas ruas é constante, os motoristas buzinam o tempo todo, para avisar que estão atrás ou que querem ultrapassar.

Como nos no Brasil que estávamos acostumados com os fusquinhas até pouco tempo atrás dominando o trânsito nas ruas, os indianos possuem um carro inglês, o Ambassador. Geralmente na cor branca, seu modelo não muda a décadas, a não ser pela moderna opção do ar-condicionado. Muito maior que nosso fusquinha e mais confortável é um prazer viajar nele. Com sua velocidade moderada sentimo-nos mais seguros nas estradas do país. E todo o lugar que ele aparece ganha um charme a mais, lembrando os anos 50 no Brasil. Na clínica (veja na foto) eles sempre aparecem embaixo de nossa varanda e sentimos como se tivéssemos entrado numa máquina do tempo.

Nas grandes cidades é comum vermos ônibus de dois andares como os de Londres, porém com as peculiaridades indianas, lotados.

Selecionei algumas fotos que tinha de outras viagens e desta também, para vocês conhecerem um pouco mais dos transportes da Índia.

Porém, o mais curioso é ver um macaco tomando carona numa bicicleta. Parece que na Índia as diferenças são REALMENTE aceitas.

Paz a todos.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Cuidados médicos

O tratamento continua bem. O remédios continuam os mesmos, e apenas ganhei mais alguns para tomar.

Costumo ficar deitada relaxando por uma hora, quando termina a massagem. Há alguns dias atrás comecei a sentir uma forte dor de ouvido quando acabei a massagem, em seguida fiquei completamente surda de um deles. O médico não explicou o motivo, mas acredito que seja devido ao óleo da massagem que às vezes cai dentro do ouvido.

Passei então a receber nos últimos três dias a visita de mais uma enfermeira, na parte da manhã.
Ela passou a administrar uma quantidade enorme de óleo medicado em cada ouvido. No momento fica tudo pior, até os olhos ardem, mas depois vem um alívio e o ouvido abre completamente.

Agora já voltei a escutar quase que normalmente, mas o procedimento ainda deve continuar.
As dores no corpo passaram... sinto-me mais relaxada e calma... a terapia com óleo quente começa a amolecer meu corpo, minha mente e os benefícios começarão a surgir em breve.

Não há regras, não há formulas exatas do que se fazer... o médico avalia meu estado a cada dia... define o que deve ser mantido ou mudado individualmente. Os procedimentos não são padronizados para determinadas doenças, ou tipos de dosha... são na verdade específicos para cada caso em particular.

Paz e saúde a todos...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Caridade


(Na sequência: Varanda da clínica, entrada do museu e fila do hospital ao público carente.)

Ontem meu marido visitou o museu do hospital. Infelizmente, não pude acompanhá-lo, pois é em outro prédio. E como falei, estou internada e não tenho como sair.
O museu é ao lado do prédio que oferece consulta gratuitamente para qualquer pessoa pobre. Por dia são mais de 1.000 pessoas se consultando. E detalhe, estamos falando de um hospital PARTICULAR, que não recebe nenhuma ajuda do governo. Impressionante, não?

Além das consultas, este outro prédio, chamado de O.P. (out pacient) também tem capacidade para 170 internações gratuitas. Onde as pessoas recebem a mesma atenção e os mesmos recursos que estão me aplicando. Tudo DE GRAÇA!!!
O atual médico chefe é bem velhinho, disseram-me que possui 96 anos. Quando fiquei sabendo de sua idade pensei que não tivesse muitas atividades no hospital, afinal 96 anos é muita idade até para quem trabalha com saúde.
No final da visita ao museu meu marido comprou um DVD que conta a história do hospital e do ayurveda. A cena que achei mais bonita foi a deste médico chefe visitando os pacientes que são atendidos e internados no O.P., ou seja, no hospital de caridade.
Fomos dormir em seguida e peguei no sono imaginando como seria bom se ele ainda fizesse visitas e que elas incluíssem os pacientes do hospital particular. Parecia-me pura fantasia, mas tinha um sabor de estar sendo protegida por alguém que carrega a responsabilidade de perpetuar o Ayurveda no planeta.

Pela manhã demoramos a receber a visita do médico que me acompanha. Ele tinha gastado muito tempo no primeiro quarto, pois a paciente, uma senhora obesa, teve algumas complicações.
Terminada a minha visita médica, fomos para o corredor do hospital, que possui uma varanda, para observar o movimento do jardim do hospital. Encontramos o paciente do segundo quarto, o nosso é o terceiro, que puxou conversa. Mais um indiano que trabalha nos E.U.A. e sofre de problemas na coluna.
Ele conhece profundamente o hospital, pois já estivera outras vezes com familiares, e resolveu fazer um breve comentário sobre o início do hospital e sobre o atual administrador, o médico chefe. Por incrível que pareça, neste exato momento, vemos sair do primeiro quarto o meu médico acompanhado do médico chefe.
Nossa conversa parou imediatamente e ficamos apenas admirando o caminhar firme e suave deste homem de tanta idade e tamanha saúde. Passou por nos e nos cumprimentou com um gesto de cabeça e seguiu a frente para visitar outros pacientes com situações graves.
Estava enganada, ele continua a trabalhar e a visitar os pacientes mesmo os que pagam pelo tratamento, além de administrar vários estabelecimentos do próprio hospital (o prédio de publicações, o herbário, a escola de Kathakali, a fábrica de remédios, as farmácias, etc...). Inacreditável.
Como lição, ainda percebi que sonhos se realizam. NUNCA DESISTA DE UM SONHO!!!


Paz e saúde a todos !!