quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Oferendas aos deuses



Vendedora de oferendas na beira do Rio Ganges.

Além de descansar e recuperar minhas forças vim para Mumbai fazer aulas de yoga numa classe especial para pessoas com problemas de saúde, a medical class.

Cheguei cedo no Instituto de Yoga do mestre B.K.S. Iyengar e pude presenciar o professor em frente do altar da sala práticas, fazendo oferendas a uma pequena estátua de Ganesha, o deus elefante.

É impressionante como antes de qualquer atividade os indianos fazem oferendas aos deuses. Nestes rituais diários são utilizados e reverenciados os cinco elementos da natureza. Para eles estes elementos constituem tudo que existe no mundo material (Terra, Água, Fogo, Ar e Éter).

Cada elemento possui sua representação na oferenda. Quando se está perto de um rio sagrado como o Ganges, a oferenda é colocada nas margens do rio para que a água carregue-a e gere os efeitos pretendidos, ou seja, para que os pedidos sejam realizados. Portanto, nesta ocasião, onde se está oferecendo os elementos da natureza num rio, o elemento água é representado pelo próprio rio. As folhas que formam o barquinho que carregará a oferenda juntamente com as flores que são postas sobre elas simbolizam o elemento Terra . Dentro do barquinho de folhas encontra-se uma pedrinha de cânfora que é combustível e fica acessa mantendo uma chama viva, e assim o elemento Fogo se expressa. O Ar é representado pelo incenso que exala seu perfume dentro da oferenda. E por fim, o Éter, que é representado pelo som, surge com os mantras, palavras sagradas, proferidos pela pessoa que realiza o rito.

Ano passado meu marido esteve em Rishikesh e comprou uma oferenda da indiana da foto acima. E realizou o ritual de colocá-la no Rio Ganges. Seu pedido foi para que eu encontra-se minha saúde de volta. E após um ano, aqui estou de volta à Índia dando continuidade a minha recuperação. Não sei dizer se as oferendas indianas realmente funcionam ou se são um tabu. Mas o fato é que sinto que estou encontrando minha saúde de volta.

Namastê a todos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sapatos indianos




Conhecidos como Khussa, as sapatilhas indianas são geralmente rasteirinhas, mas existem alguns modelos com salto baixo. São feitas de tecido ou couro trabalhado, com bordados de contas e paetês, todos combinando com a cor do sapato.

É um modelo fácil de achar em de lojas sapatos e principalmente nas barraquinhas das ruas do Colaba. Mas é preciso ter bastante cuidado ao usar e lavar, pois os bordados tendem a se soltar com facilidade, mas é claro ,se comprarmos nas lojas mais caras e especializadas a durabilidade e a qualidades são bem maiores. Na primeira vez que vim à India comprei dois modelos desses e estão inteiros até hoje, pois comprei em um dos shoppings centers de Mumbai que possui excelentes lojas.
Os modelos que me mais agradam são as sandálias rasteirinhas, pois tem maior durabilidade e são mais fácies de combinaram, sem deixar o visual muito carregado. Mas deve se tomar cuidado ao comprá-las já que muitas são costuradas na sola e se desmancham em poucas semanas.


Há milhares de modelos e preços. Com salto ou sem salto, com muito bordado ou sem nada, e os preços são muito baixos. Os modelos da primeira foto são vendidos no Colaba em Mumbai por 350,00 rupias ,ou seja, 18 reais. Mas é possível pagar menos, se formos aos bairros mais afastados da área turística.

Paz e conhecimento a todos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Culinária indiana - Palak Paneer

A culinária indiana é rica de sabores e variedades. Em cada estado, cada região você encontra pratos típicos bem diferentes e apimentados.

A maioria dos indianos são vegetarianos, mas uma grande parte da população consome peixe, devido a sua longa extensão costeira. E os indianos de religião mulçumana são carnívoros como nós brasileiros.

A comida é uma parte importante da cultura indiana, e tem valor tanto na vida diária quanto nos festivais. A maioria das refeições na Índia consiste em 2 ou 3 pratos principais com opções de molhos variados como chutneys (condimento de sabor agridoce, picante ou uma mistura dos dois) e picles, todos acompanhados de arroz e chapati (pão).

Um dos pratos mais fáceis de se pedir em restaurantes para os ocidentais que ainda não estão acostumados com o tempero indiano é o Palak Paneer. Palak significa espinafre e panner queijo ricota. Ele tem poucos condimentos e geralmente você encontra nos restaurantes de todo o país.

Segue então a receita para vocês testarem um pouco da comida indiana e satisfazer aos inúmeros e-mails que a solicitaram.

RECEITA DE PALAK PANEER
Ingredientes

250g de espinafre

1 cebola roxa em cubos

1 xic de tomates cortado em pedaços pequenos

1 colher de sopa de ghee (manteiga clarificada)

1/2 colher de chá de gengibre ralado

1/2 colher de chá de açafrão da terra

1/2 colher de chá de cominho em grão

1/2 colher de chá de páprica picante

2 pimentas dedo-de-moça

250g de panner ou queijo ricota cortado em cubos

4 colheres de sopa de creme de leite fresco

Sal a gosto.

Lave o espinafre, coloque em uma panela com pouca água e sal e deixe cozinhar por cerca de 8 minutos. Remova do fogo e deixe esfriar.
Esquente o ghee, adicione na seguinte ordem: o gengibre, a pimenta e a cebola, refogue até a cebola dourar.
Coloque o cominho, a páprica picante, o açafrão da terra, o sal e misture bem adicionando o tomate. Deixe cozinhar por 5 minutos.
Retire do fogo e coloque o molho e o espinafre no liquidificador. bata tudo até formar uma pasta.
Coloque no fogo novamente por 2 minutos e adicione o creme de leite fresco e o panner (ou a ricota). Desligue o fogo e sirva em seguida.
O ideal é servir com arroz branco ou chapati.

Paz e conhecimento a todos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um bom restaurante



Na minha primeira viagem à Índia tive bastante receio de fazer minhas refeições na rua. Procurava sempre comer nos hotéis, já que as pessoas diziam ser periogoso e arriscado tentar um restaurante desconhecido.

Depois que você passa a conhecer melhor o lugar, recebe indicações, tudo começa a ficar mais simples e principalmente saboroso.

Em uma das viagens que meu marido fez para Mumbai, descobriu um restaurante muito simpático e limpo. Ele testou a comida e nada aconteceu...ufa!!! Ainda bem!!! Assim, resolveu me levar para comer lá.

Temos ido lá em todas as refeições, pois a comida é fantástica. Tem um sabor maravilhoso ... A cada dia testamos um prato diferente. É um restaurante vegetariano, com comidas indianas, chinesas e alguns lanches rápidos como hamburger vegetariano e sanduíches de queijo e tomate.
O preço também é muito bom... dá para se fazer uma boa refeição para duas pessoas com aproximadamente 280,00 rupias, ou seja, 15 reais. Claro que você também pode comer por 120 reais em restaurantes mais luxuosos, mas dificilmente o sabor será melhor, talvez igual.

Caso alguém tenha interesse de vir a Mumbai ou já está de viagem planejada, não deixe de ir lá. O restaurante por fora não parece grande coisa, como tudo na Índia. As vezes entramos por uma portinha empoeirada para descobrir um mundo completamente diferente do lado de dentro.
O restaurante SHUBH SAGAR fica no Colaba (bairro do Gate of Índia), na rua Mistry Chambers, perto do cinema Strand.

Na primeira refeição que fizemos pude assistir um cena inspiradora. Era o final da tarde e o dono do restaurante se preparava para abrir os negócio para o público que viria jantar.
Escolhemos uma mesa perto do caixa, onde ficava o proprietário e seu altar religioso. Em determinado momento todos os garçons viraram-se para o altar e o dono passou a proferir um canto religioso num tom ritimado, baixo e suave, enquanto segurava em uma das mãos um maço de incensos acessos. Retirou de uma sacola colares e pétalas de flores para decorar seu altar. Depois dirigiu-se para outra extremidade do restaurante, onde havia uma estátua dourada de Ganesha, o deus da proteção dos negócios e da prosperidade. Fez uma reverência decorando-o com flores.

Tudo isso acontecia, enquanto a fumaça dos incensos emanava um perfume delicado no ambiente.

Paz e saúde a todos.

sábado, 31 de janeiro de 2009

O charme de Mumbai














Estamos num dos bairros mais interesantes de Mumbai, o Colaba. Sua atmosfera é curiosa e fascinante.
Ficamos em hotel charmoso com móveis antigos, junto aos famosos Cafés: Mondegar e Leopold. O Leopold mostra em sua faixada imagens de garotas junto as logomarcas da Coca-cola, lembranças dos anos 60. Prédios com faixadas art déco dão um toque nostalgico na cidade.

Mumbai é repleta de contrastes. Taxis antigos de cor preta com teto amarelo, disputam espaço com Mercedes-Benz do ano. Prédios modernos se destacam nas ruas repletas de lojas rústicas com pequenos comerciantes de pés descalços. Pessoas apressadas nos celulares esnobam os que ainda precisam usar os telefones vermelhos de rua junto as árvores que propagandeam com avisos de ligações locais e internacionais. Chegamos a telefonar para o Brasil de uma barraquinha que vendia coco verde.
As vacas continuam a se misturarem com as pessoas e carros. Fomos comprar frutas e lá estavam elas a comer as sobras.
Imagens de Ganesha, o deus elefante, adornadas com guirlandas de flores enfeitam as portas antigas,e logo abaixo uma oração escrita em giz na língua local, o hindi, revela puro relicário sagrado.
Carroças gigantes e delicadamente adornadas com detalhes prateados, enfeitados com flores trafegam nas ruas. Placas advertem em vão que sua passagem é proibida em determinados trechos.
Por fim, o nome de uma barraquina de pulseiras nos lembra em seu layout que A VIDA É BONITA!!

Paz e saúde a todos...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Air India – Bombai





Remédicos Ayurvédicos para 6 meses.


Fiquei muito ansiosa com a minha partida do hospital. Foram 34 dias de tratamento intenso, que me deixaram muito fraca e debilitada, tive receio de deixar o aconchego do meu quarto e o apoio da equipe médica. Mas isto era esperado. Afinal é assim que o Ayurveda funciona. Primeiro desintoxica o organismo, o que naturalmente deixa-o muito fragilizado, para depois administrar os remédios por um longo período. No meu caso serão 6 meses de medicação em casa. Foram duas caixas cheias de remédios (veja na foto).

Como planejado, reservei quase um mês após o término do tratamento para ganhar forças antes de embarcar na longa jornada de volta. Quase 24 horas de vôo internacional é um enorme baque para nosso organismo, principalmente para quem está se recuperando de um longo tratamento como o que realizei.

Recentemente fizeram uma pesquisa e comprovaram os malefícios de um longo vôo sobre a saúde. Na última viagem senti muito bem o quanto somos afetados pelos vôos internacionais, a experiência não foi nada agradável e na época tive medo de ter posto todo o tratamento a perder.
Mesmo o curto trajeto entre o estado do Kerala e a cidade de Mumbai deixou-me sem forças e exausta.

Ainda assim, tive uma experiência curiosa. Voamos pela empresa Air India, a única que realiza o trajeto. A Air India é minha conhecida, pois já fiz outras viagens com ela. Seu serviço de bordo é composto por comissárias de mais idade, talvez porque a empresa seja a mais antiga no país. Porém, a seriedade e o atendimento indelicado prestado pelas aeromoças é quase uma tradição.
Quando fui ao toilette pedi licença para passar no corredor e ganhei um empurrão e um sonoro não. Mais tarde descobri, talvez, o motivo do mau humor. A aeromoça estava cansada de vestir o sapato que apertava seu pé, e simplesmente passou a servir a refeição descalça e irritada. (olhe na foto).

Quando chegamos Mumbai tivemos a surpresa de descer num aeroporto completamente reformado e moderno. Agora ficaremos três semanas na AMAZING MUMBAI (Impressionante Mumbai).

Paz e Saúde a todos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Para acalmar a mente

( Asharam - Bangalore)

Estou um pouco atarefada agora... Não tive muito tempo para parar e escrever meu post de hoje.
O tratamento terminou e estou arrumando minhas malas, conferindo os remédios e acertando todos os detalhes e informações importantes para minha volta.
Dentro de uma série de recomendações novas que tenho que seguir está a de continuar praticando regularmente pranayamas com a finalidade de energizar mais o corpo e acalmar o sistema nervoso. E isso eu realmente tenho certeza que funciona... passei pela experiência e hoje sei o quanto é importante "respirar".

Segue então uma pequena explicação sobre a importância da respiração para nossa vida:
"Todos os indivíduos são agraciados com todas as virtudes do mundo. Elas simplesmente estão cobertas por falta de compreensão e estresse. Tudo que é preciso é revelar as virtudes que já estão lá. Técnicas de respiração e meditação são muito eficientes para acalmar a mente.

Aprender algo sobre nossa respiração é muito importante. Nossa respiração tem uma grande lição para nos ensinar, que nós havíamos esquecido. Para todo ritmo na mente, há um ritmo correspondente na respiração e para todo ritmo na respiração há uma emoção correspondente. Então, quando você não puder lidar com sua mente diretamente, através da respiração você pode lidar melhor com ela ".

Sri sri Ravi Shankar - Fundador da ONG Arte de Viver
http://www.artedeviver.org.br/
Paz e conhecimento a todos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vestindo o saree




Resolvi colocar este slide show com algumas fotos que tirei ontem enquanto vestia o saree. Talvez dê para vocês terem uma idéia de como se faz durante a delicada arte de vesti-lo.

Uma paciente que está no mesmo bloco que eu se dispôs a me ajudar... mais do que me ajudar, ela e sua irmã resolveram me caracterizar completamente...me emprestaram um colar de ouro que simboliza que sou casada.

Arrumaram meu cabelo, fizeram meu marido sair para comprar flores e preparam um aplique com elas, e por sinal tinha um perfume maravilhoso, pois era um ramo de jasmim... foi muito divertido... Para completar colocaram o bindi na minha testa entre as sobrancelhas, e em seguida fizeram a marca vermelha na raiz do cabelo que também significa que sou casada. Também me emprestaram suas pulseiras, pois as que tenho não combinaram com as cores do saree.

Todos ficaram me olhando e vários vieram me parabenizar pela forma que estava vestida durante o jantar. Cheguei a ficar vermelha de tanta vergonha. Mas foi espantoso como os olhares mudaram e passaram a me aceitar muito mais. É impressionante o poder que a roupa exerce sobre nós, seja da sociedade que for.

Paz e conhecimento a todos

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A difícil tarefa de comprar um saree

Ontem a tarde me senti um pouco melhor e resolvi ir em uma loja aqui perto do hospital comprar um sari.

Nas propagandas, outdoors existem sempre indianas vestidas com belíssimos saris, mas acha-los é uma tarefa muito difícil, pelo menos nas lojas do interior do país.

Não que não haja belos saris, mas conseguir se comunicar com os vendedores é o mais complicado. Eles praticamente não falam inglês e ainda por cima possuem um gosto bastante duvidoso.

Nos primeiros 15 minutos na loja quase desisti e voltei para o hospital.. Comecei a ficar cansada e sem paciência... O calor na loja era insuportável, os ventiladores não davam conta, e todos estavam derretendo ...


Além disso, eu pedia uma cor e eles me mostravam outra. Queriam a todo custo me vender saris amarelos ou com muito bordado dourado... Tudo o que eu não queria. Buscava um modelo mais simples, e em cores mais escuras.


Chegou um momento que havia cerca de 30 modelos diferentes em cima do balcão... e nada me agradava. Foi então que a pareceu um novo funcionário e pedi para olhar diretamente nas prateleiras e pegar tudo aquilo que achasse interessante. Ele, além de concordar, entendeu o que eu procurava.

Os saris estavam divididos pelo tipo de material: algodão, chifon ou seda e numa infinidade de cores e modelos.

Depois de quase uma hora, consegui achar três modelos que me agradaram...mas aí começou mais um dilema... tentar resolver a saia que é usada por baixo , assim como a mini blusa... Levei um tempo para conseguir explicar que também precisava delas, e acabei perdendo a paciência, pois já estava exausta pelo calor e resolvi levar apenas um deles, pois ainda tinha que tirar as minhas medidas e escolher as cores para confeccionar as mini-blusas.


Hoje a noite a blusa deve estar pronta e assim que puder coloco um vídeo para vocês verem como vestir um sari passo a passo.

Muita paz e conhecimento a todos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Visita ao templo



Ontem foi o primeiro dia que saí do hospital, após 29 dias de tratamento. Ainda estou me sentindo bem fraca, mas os médicos dizem que é uma reação normal e esperada do curso do tratamento. Estou tomando um remédio preparado com uma erva conhecida popularmente como: “Mulher de mil homens”. Com este remédio provavelmente passe a ficar bem mais forte em breve.

Como ontem melhorei um pouco, a médica chamou-me para assistir o último dia do festival que está acontecendo no templo ao lado de sua casa.

Por volta das 20 horas pegamos um rickshaw e fomos para o templo. Era incrível. Um elefante enorme tinha a cabeça decorada com ornamentos dourados, e estava a entrar pelo pequeno corredor que levava ao templo, enquanto os sacerdotes do templo tocavam instrumentos musicais em um tom altíssimo por vários minutos.

Ofereceram frutas, incensos e flocos de arroz ao elefante e em seguida a enorme e bela criatura desceu para a área do templo acompanhada dos instrumentistas sagrados.

Quase não consegui manter-me em pé, pois a música com o decorrer do tempo deixou-me com um torpor geral pelo corpo e um profundo vazio na mente.

A figura inusitada do elefante em tão pequeno espaço completava o ambiente de cores, sons, odores deixando-nos fora de nós mesmos.

Ainda bem que tive esta oportunidade de desfrutar um pedaço da Incrível Índia.

Paz e saúde a todos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Mulheres Indianas

Mulheres trabalhando no hospital.

Mulheres trabanhando na obra de um templo indiano.


Quando estamos na Índia muitos de nossos conceitos são abalados. Uma das situações mais diferente e difícil de aceitar é que na Índia as mulheres trabalham pesado, principalmente as de castas mais baixas.

Aqui mesmo no hospital flagramos elas carregando cestas na cabeça, para transportar material de construção para um área que está em obra. Como elas não possuem força para utilizar a pá, os homens simplesmente enchem as cestas que elas levam na cabeça. Mesmo sabendo disso, impressiona o fato dos homens ficarem esperando para colocar mais cascalhos nas cestas, enquanto elas circulam pelos corredores do hospital como formigas trabalhadoras.

A Índia é muito complexa e não é incomum vermos várias explicações para o mesmo aspecto de suas tradições e costumes. O conceito da casta pode ser assustador e até cruel para nós.

Normalmente se entende o sistema de casta como uma situação onde as pessoas estão fadadas a um destino de miséria quando nascem filhas de pais da casta dos sudras, a mais baixa no sistema social.

Mas como há sempre várias versões sobre o mesmo fato, já ouvi uma explicação que me pareceu mais simpática.

Antigamente a casta indiana não era transmitida de pai para filho, tudo era definido pelos astros. Isso mesmo, pelas estrelas.

Para compreender o sistema de casta na Índia antiga é necessário entendermos como até hoje a astrologia védica indiana está presente nas decisões das pessoas e é levada muito a sério.

O Jyotish é um sistema de astrologia milenar. As datas propícias para casamentos e eventos importantes da vida são definidas após a consulta com um astrólogo védico.

Assim, no passado, quando uma criança nascia ela era levada ao astrólogo da cidade que pela configuração de seu mapa astral védico definia a qual casta iria pertencer. Era comum entender que certas pessoas teriam uma facilidade para se dedicar aos estudos e ao conhecimento, sendo assim membros da casta dos brâhmanes.
Os astrólogos sabiam que se a criança possuía em seu mapa astral um tino comercial seria uma pessoa que naturalmente teria um bom desempenho como membros da casta dos vaixas, que são os comerciantes. Em seu mapa astral estava claro que não deveria ser nem de uma casta “superior” ou “inferior”, pois não conseguiria desempenhar bem as outras funções sociais devido as suas qualidades inatas de comerciante. Esse sistema favorecia todo o grupo social, pois permitia que as pessoas fossem boas no que possuem de vocação.

Na época não fazia sentido ser o mais rico da sociedade, e sim ser o melhor no que se fazia. Desta forma, estaria desempenhando bem o papel para o qual nascera e fora definido pelos astros.
Porém, com o acontecimento das diversas invasões no norte da Índia o sistema de castas definido pela astrologia indiana, passou a ser um sistema hereditário, no intuito de se proteger da miscigenação. Sendo assim, mesmo que um homem do povo estranho tivesse um filho com uma mulher indiana este não poderia ser de casta alguma, pois não tinham ambos os pais de uma casta definida. Seria um pariah, os que estão fora do sistema de casta. Isso evitava, também, que um membro da cultura que estava invadindo o país pudesse se tornar da mais alta casta e vir a ser um líder ou um governador legitimado pelo sistema de castas do país.

Mais tarde o sistema hereditário se fixou e começaram a ocorrer distorções sociais. Pessoas com grande capacidade intelectual ficaram fadadas a casta do pariahs ou intocáveis, sem poder expressar a sua vocação natural dada pelos astros.



PAZ e conhecimento a todos.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A rotina diária para saúde


Muitos indianos praticam o Dinacharya as 5 horas da manhã nas margens dos rios, principalmente do Rio Ganges, ou em casa.
Para o Ayurveda a higiene pessoal, a dieta alimentar e o estilo de vida que levamos são fundamentais para a boa saúde. Para possuirmos uma condição saudável o Ayurveda acredita que temos de seguir uma rotina específica diária, chamada de DINACHARYA e também uma rotina sazonal, conforme as estações do ano, conhecida como RITUCHARYA.

Para os sábios indianos do Ayurveda, tal como o sábio Sushruta, a idéia de saúde é definida como a situação onde os três doshas ( Vata, Pitta e Kapha) estão num estado de equilíbrio. A digestão e o metabolismo do corpo estão adequadamente ativos, ou seja, o fogo interno (Agni) está nem mais nem menos ativo, e os tecidos corporais, conhecidos como DHATUS, bem como os sistemas excretores do corpo se encontram num estado normal. Quando estas condições estão presentes num indivíduo, seu estado físico e mental mantêm-se em harmonia, saúde e felicidade.

Se seguirmos as orientações ayurvédicas de um apropriado regime de vida e evitarmos os desvios e a imprudência em nossas rotinas podemos ter uma vida saudável e feliz.

Os tratamentos ayurvédicos acontecem quando, na maioria dos casos, fomos indulgentes com nós mesmos e necessitamos restabelecer o mecanismo correto do que foi perturbado.

Dinacharya (rotinas diárias) podem ser sinteticamente listada.
A orientação básica é acordar antes do nascer do sol, momento do dia conhecido como Brahma muhurta, que é mais favorável para as práticas que se seguem:

1. LIMPEZAS: Cuidar do corpo promovendo sua limpeza, que envolve escovar os dentes, raspar a língua retirando as toxinas que o estômago devolveu à boca durante a noite; gargarejar e bochechar com o mesmo propósito, fazer uma auto-massagem com óleo apropriado para seu dosha; aplicar óleo ou ghee nos orifícios como narinas e orelhas; tomar banho, fazer a barba, aparar cabelos e unhas, vestir roupas limpas, perfumar-se e enfeitar-se para o dia.

2. SATISFAZER AS URGÊNCIAS NATURAIS: Suprimir a vontade de ir ao banheiro é extremamente nocivo ao corpo, isso inclui: evacuar, urinar, liberar gases estomacais e intestinais, espirrar, beber água, saciar a fome, dormir, ejacular, vomitar quando tiver vontade e bocejar. Trancar as vontades naturais pode provocar várias doenças. Para o ayurveda o que deve se suprimir é as urgências mentais , tais como, a raiva, a inveja o medo, a vaidade, o ciúmes....

3. EXERCÍCIOS: Os Vatas devem evitar atividades aeróbicas, os Kaphas devem praticar exercícios intensos e os Pittas exercícios moderados. Praticar yoga é sempre indicado, exceto durante tratamentos severos de saúde, a não ser que se esteja sob orientação de um professor experiente na patologia apresentada.

4. DISCIPLINA MORAL: Para o ayurveda um rotina de observância da atitudes mentais e morais são fundamentais para não gerarmos estresse em nosso organismo e não cairmos doente. Julgamentos equivocados sobre os acontecimentos da vida também provocam sofrimentos e conseqüentemente patologias mais a frente. Uma prática religiosa também é recomendada para manter o homem com clareza sobre a sua importância no projeto divino e diminuir o egoísmo. Portanto, respeitar os santos, mestres e professores, ajudar o próximo, manter-se esperançoso diante das dificuldades da vida são hábitos que geram SAÚDE.

Namastê a todos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Jardins e palácios indianos



(Taj Mahal, Palácio Amber (Jaipur), jardim do Hospital)

Estou passando por momentos delicados nos últimos dias. A terapia do enema debilita bastante o corpo, e fico muito cansada e fraca. Neste momento preciso de repouso e muita calma. Mas sinto saudades de passear pelo jardim que tem dentro do hospital.

Para me distrair fiquei revendo as fotos de minha primeira viagem na Índia (2005), quando estava completamente saudável. Visitei muitos palácios e seus fantásticos jardins.
Quando vi um trecho da novela Caminho das Índias pela a internet lembrei do Palácio em Jaipur. Sua arquitetura é fantástica e seus jardins são lindos. Os jardins externos são bastante coloridos e belos. Há vários elefantes com os corpos pintados e macacos andando por toda parte. E os jardins de dentro do Palácio, são ainda mais riquíssimos de detalhes. Todas as construções e os jardins são baseados nos tratados indianos sobre arquitetura, chamado de Vaastu Shastra, que em um próximo post explico melhor.

Um deles fica dentro de um lago e é formado com desenhos diversos, no maior estilo indiano, com pedras separando o gramado, formando uma estampa lindíssima.
Também recordei-me do Taj Mahal e seus jardins, o gramado é lindo, e admirar a construção do Taj Mahal, que na verdade é um mausoléu é como apreciar uma jóia. Alias, muitos chamam-o de Jóia da Índia.
Espero poder melhorar logo para voltar aos meus passeios matutinos no jardim daqui. Apesar de bem simples se comparado aos do Palácios, é muito agradável e refrescante.

Paz e saúde.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A causa de nossas doenças - Parte III



Por último, temos as pessoas de dosha Kapha que são as mais apegadas às situações, e que sentem mais dificuldade de mudar um hábito. Por isso, quando estão fixadas num comportamento que lhes desequilibram criam uma enorme resistência para alterá-los, mesmo sabendo que seria importante para sua saúde e melhor qualidade de vida. A inércia é uma situação que os “kaphas” precisam vencer para obter o sucesso de suas pretensões.

Muitos comportamentos que possuem em sua essência a característica da “inércia” podem prejudicar a vida das pessoas de dosha predominante Kapha. A tendência a comer doces e guloseimas é uma constante na vida destas pessoas. O que os tornam mais sedentários e sujeitos a doenças de acúmulos no corpo, tal como cistos e até tumores.

Comer sorvetes todos os dias, que são gordurosos e de difícil digestão, pode gerar um acúmulo de material não digerido no corpo que com o passar dos anos eclode como um tumor. Mais uma vez não nos damos conta que nossas atitudes no decorrer de anos são responsáveis pela aparição de uma doença e buscamos soluções imediatas, tais como cirurgias. Esquecendo de observar os atos que nos levaram ao desequilíbrio do organismo.

Comportamentos que agravam KAPHA:

- Falta de exercícios.
- Estilo de vida indolente, um comportamento preguiçoso ou apático.
- Consumo excessivo de doces e líquidos.
- Dormir demais, acordar tarde pela manhã ou dormir à tarde.
- Comer demasiadamente, principalmente comidas ricas em carboidratos ou muito nutritivas.
- Durante as épocas de chuva, deixar-se ficar molhado.
- Vestir roupas úmidas e não se secar completamente após o banho, principalmente os cabelos.
- Ficar muito dependente do parceiro, sem praticar mais desapego na relação amorosa.
- Comer sorvetes e outros alimentos gordurosos.
- Evitar um estilo de vida consumista.

Saúde a todos.