quinta-feira, 4 de abril de 2013

Dia de Detox - receita para queimar Kapha

Sopinha de espinafre com especiarias...



Ingredientes:
1 colher de sopa de alho poro picadinho
1 colher de chá de ghee
1 colher de chá de semente de mostarda
1 pitada de paprica picante
1 colher de chá de curcuma,
2 inhames
1 molho de espinafre
1/ colher de chá de sal marinho


Cozinhe o inhame no vapor e reserve.
Em outra panela, coloque o ghee e adicione as sementes de mostarda . quando começarem a pular adicione os demais temperos e em seguida o as folhas do espinafre. com o fogo baixo, tampe a panela ae deixe cozinhar cerca de 2 minutos, até o espinafre murchar.
Remova do fogo e leve ao liquidificador com o inhame. Adicione o sal e bata bem.
sirva morna.

Serve duas porções

Bom detox..

E para aprender outras receitas:  Neste sabado!!

CURSO DE CULINÁRIA AYURVÉDICA

DIA 06/04/2013 , Sábado das 09:00h às 13:00h 
Inscrições e informações 2491-4090 / 7735-3003 
ou www.mepeg.com.br



Saúde e paz
Laura

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Detox de Outono


O Outono é um momento natural de transição entre o período o Verão e o Inverno, duas estações opostas. É nesta estação que o clima quente e úmido é substituído aos poucos pelo calor suave, com ventos mais intensos, instabilidade no clima, para aos poucos predominar uma temperatura mais baixa, com ventos gelados e secos.
Isso significa para a Ayurveda que o dosha Vata começa a ser agravado, independente do seu biotipo.
E, portanto, este é momento ideal para uma suave desintoxicação que irá permitir que o seu corpo e a sua mente, comecem o inverno de forma equilibrada e menos suscetível a doenças.
Durante o Outono, a maioria das pessoas reclamam de ressecamento da pele, intensa queda de cabelo, insônia, agitação, instabilidade emocional, e isto pode estar relacionado com a influencia da estação.
Então, desta maneira, precisamos fortalecer nosso Agni, fazendo simplesmente uma dieta Anti-ama ou até mesmo um Panchakarma.
A dieta anti-ama ou detox é uma ferramenta importantíssima para reequilibrar o organismo quando este é afetado pelas variações climáticas.
Para ajudar a desintoxicar e fortalecer o sistema imunológico e aumentar a produção de Ojas (energia vital) a Ayurveda sugere uma dieta com abordagem terapêutica. A sua pratica traz bem estar físico e emocional, melhora o humor, a memória, o raciocínio, a vitalidade, aguça os sentidos, regulariza o apetite, as funções digestivas e as eliminações.
A Dieta Detox Ayurvédica possui um cardápio variado e saboroso, que atende e respeita a sua capacidade digestiva (agni), portanto, não há contagem de calorias.
Há uma preocupação e orientação quanto à qualidade e variedade de alimentos, em combinação correta com a preparação adequada e respeito aos horários e ao ciclo natural do corpo humano.
A Dieta Detox Ayurvédica vai além do cardápio alimentar, pois ela orienta também, conjugado a este, práticas de pranayamas, yoga, massagem e atividades físicas brandas.
Entao, comece agora mesmo.
Procure um terapeuta ayurvédico capacitado e comece a cuidar mais de você mesmo.
Para quem estiver no Rio de Janeiro, neste sábado dia 6 de abril de 2013, estarei ministrando mais uma aula de Culinária de Detox Ayurvédico no Itanhangá, Mise em Place.
A aula acontece das 9h as 13h, e as inscrições e informações somente pelo site:
www.mepeg.com.br ou pelo tel: 2491-4090 / 7735-3003
Você pode também adquirir o Kit Detox Ayurvédico by Laura Pires, com os ingredientes necessários para começar a sua dieta.
Entre em contato com Sandra Cesar pelo tel:8271-0837 , pelo e-mail 
kitdetoxayurvedico@ymail.com ou no facebookhttps://www.facebook.com/kitdetoxayurvedico.

terça-feira, 26 de março de 2013

Saúde da Mulher com Dra Sunanda Ranade


Olá queridos

Está vindo ao Brasil a Dra. Sunanda Ranade, médica Ayurvédica com mais de 30 anos de experiência na sáude da mulher e seu marido Dr.Ranade, médico Ayurvédico com vários livros publicados no ramo.

 Eles estarão realizando consultas:

Em Copacabana nos dias 15 e 16 de Abril
Na Barra da Tijuca nos dias 17 e 18 de Abril
Valor R$ 250,00

E a Dra. Sunanda estará ministrando um workshop sobre SAÚDE DA MULHER:

 - Barra da Tijuca, clube Marapendi
 - Dias 13 e 14 de Abril
 - Valor até 30/03 R$ 430,00 e após esta data R$ 450,00

Ela abordará:
- Cuidados  e tratamentos da menarca à menopausa
- TMP
- Endometriose
- Anemia 
- Tratamentos para problemas ginecológicos mais comuns 

Essencial cuidarmos de nosso feminino!!

Poucas vagas!

Para mais informações, marcações de consulta e inscrições entre em contato, Namastê.
 
Com Gratidão,

Janaina Chagas
 
cel. 8335.1773 / 7808.4882
 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Curso de aprofundamento em Yoga e Ayurveda 2013


Curso de aprofundamento em



Yoga e Ayurveda 

                                                                                           com

             Diego Koury e Laura Pires


Barra da Tijuca

09 e 10 de março de 2013
06 e 07 de abril
04 e 05 de maio
08 e 09 de junho

         Este curso tem como principal objetivo elucidar os fundamentos filosóficos do Yoga e do Ayurveda e como aplicá-los na vida cotidiana e de acordo com cada indivíduo. Os principais temas a serem tratados são:
         - Fundamentos filosóficos do Yoga e do Ayurveda
         - A psicologia do Yoga
         - Inserção de valores e práticas do Yoga e do Ayurveda e como adaptá-las a cada indivíduo
         - Alimentação adequada para cada indivíduo, de acordo com seu bio-        tipo, condição, nível de prática e rotina 
         - Estudo sobre os principais Asanas e suas adaptações
         - Estudo sobre os principais Pranayamas, técnicas de controle da respiração
          - Iniciação à prática de recitação do Yoga-Sutra de Patañjali, segundo a tradição de T. Krishnamacharya


Horários: sábados das 9h às 12h e de 14h às 18h e domingos de 9h às 14h (com intervalo para lanchinho).

Quem tiver interesse, por favor, envie um e-mail para dgkoury@yahoo.com.br ou 21-9464-7845.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Últimos dias no Hospital Ayurvédico - Índia


Foram muitos dias de reclusão total...

Precisei me desligar por completo.
Agora faltam apenas 48 horas para meu tratamento acabar...
Tive dias muito intensos e de muito aprendizado.

Vir para um Hospital ayurvédico, não é vir para um SPA, onde você fica relaxando, passeando, comendo coisas gostosas, se divertindo.
Isso aqui é um HOSPITAL, e os dias são bastantes intensos. Remédios com sabores nada agradáveis , rotina puxada de tratamento, comida bem “maios ou menos”, calor intenso e proibido usar ventilador ou ar condicionado, nada de passeios e caminhadas longas, nada de exposição ao sol...

Depois dos 10 primeiros dias, o corpo já reage diferente... e ao sentar na cantina para conversar com meus novos companheiros de jornada, vamos vendo cada um entrar no mesmo estado..

Letargia, sono, respostas lentas, dor, desconforto, reclamação,...

Os óleos e as medicações vão fazendo efeito no corpo e na mente de cada de um de nós e, a cada semana ficamos mais “dopados” de tanto óleo e massagem.

A massagem que antes me relaxava , sedava e trazia alivio e cuidado, se tornou o momento do dia de maior tortura. 8 mãos fazendo massagem no mesmo corpo por 60 minutos, com óleo extremamente quente... parece uma dádiva... ahhh também quero!!! É a primeira reação... ok??? 5, 8, 10 dias hummm.. é bom.. mas 24 dias??? Para mim e para todos os pacientes que passam pela mesma experiencia é muito... mas .. é tratamento, remédio... então... nada de desistir...

Acabei não recebendo nenhum tipo de Panchakarma... fiquei só nas terapias de pacificação e nutrição do corpo... ou seja, nada de purgação, enemas, vômitos...

Panchakarmas só são recomendados em casos realmente necessários, mesmo que seja um Nasya ou basti, “ os mais simples e mais "aceitos pelos ocidentais” digamos assim... Panchakarma é algo sério e não deve ser feito simplesmente porque algum amigo fez, leu no livro que é bom, ou esta precisando “desintoxicar”.

Meu tratamento ficou muito puxado nas ultimas semanas, pois uma das ervas contidas em um dos óleos medicados me causou uma reação alérgica muito, mas muito forte.

Bolhas surgiram no corpo, no peito, barriga, pernas , braços, e a massagem com óleo muito quente, as bolhas começaram a se abrir e fiquei com feridas abertas e dolorosas pelo corpo.

Depois de uma semana os novos remédios começaram a surtir efeito , e o excelente médico que me acompanha este ano, resolveu o problema muitoooo bem!! Sem deixar nenhuma marca!!

Alem da massagem, shirodhrara, fiz o Tarpana (netra- ghee medicado nos olhos)... e este foi o momento mais difícil...Memorias passadas, do meu primeiro tratamento vieram de forma muito intensa... cada minuto com olhos mergulhados no ghee quente pareciam durar dias... mas não desisti em nenhum momento... e agora tudo chega ao final..

Começa então a hora de embalar óleos, remédios para os próximos 6 meses,
e, logo em seguida partir para meu novo destino mais ao sul da Índia...

Muita saúde e paz a todos

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Relatos passados... (minha chegada na Índia)




São poucas horas por aqui e a Índia sempre trazendo aprendizados, sentimentos, experiencias... Digo talvez que possamos perceber de verdade a presença de Deus em cada momento em cada situação que acontece.
Não que isso não aconteça no dia a dia, mas vejo o quanto ainda vivo inebriada e e controlada pela grande Maya.
Talvez se me permitisse uma férias no meu país, eu talvez pudesse perceber isso tudo, mas aqui o ar, a religião, as pessoas, a vida em si, nos permite enxergar e vivenciar melhor isso tudo.
Situações corriqueiras e simples, para uma viajante já acostumada com Índia, mas eu cada vez me surpreendo mais e revejo cada detalhe.
Agora aqui , no no hotel de Mumbai, um filme passa na minha cabeça.
Da minha primeira vez que estive aqui e agora. Quanta coisa mudou... na Índia e na minha própria vida.
São muitas transformações. São muito sentimentos. Alguns bem confusos, outros muito claros.
A chegada no aeroporto depois de muitas horas de voo me deixou exausta e bastante impaciente.
Foi tudo muito rápido.
A chegada no aeroporto, depois de horas congelantes em Londres, uma bafo um calor quase que insuportável penetrava e entranhava meus poros.

As milhares de roupas tiveram que ser removidas rapidamente quase num surto desesperador. Com cuidado, diminui a quantidade de roupas , mas não menos a proteção do corpo, como o peito e o tornozelo.

O bom humor da funcionaria da alfândega, causou estranheza, geralmente eram mais rigorosos e já tive sérios problemas... era sinal, talvez que a viagem começaria bem... pois em viagens passadas, a simples entrada no pais, com muita dificuldade, mostrava o quão problemática ou transformadora seria aquela permanência, e hoje entendo cada detalhe e sinal..

Depois de pegar as malas, trocar dinheiro... parece que ficamos ricos na Índia... eheh . 1 único dólar são cerca de 50 rupias hoje e isso significa em meios práticos, uma refeição completa no hospital!!!! As taxas no aeroporto são sempre melhores,e , procuro sempre trocar o dinheiro por aqui.
Me dirigi ao guichê do taxi pré-pago, que é considerado seguro, e pela primeira vez em 6 anos... nenhuma fila, nenhuma confusão, nada absolutamente... claro que atendente... tirou a nota, com um valor de 420 rupias e me cobrou 450... perguntei porque a diferença e ela se fez de desentendida... não tinha dinheiro trocado, dei uma nota de 500 rupias e ela me devolveu apenas 50... questionei mais uma vez, e ela apenas falou !! vá, vá.. procure o taxi lá fora”

Era o início da Índia... please give me rupias, give me rupias...
Sai pela porta e uma multidão de indianos, esperando outras pessoas, outras apenas ali…sem fazer nada…apenas olhando que chega. Me dirigi ao estacionamento dos taxi pre-pagos com minhas duas malas... uma gigante, quase do meu tamanho...nem tão gigante sim!! :) mas por estarem vazias, fáceis de carregar... mas com uma passe de magica, milhares de indianos, me cercaram , e cada um foi puxando as minhas malas, falei que não precisa de ajuda... mas de nada adiantou. As malas se foram na minha sempre e o papel com o numero do taxi que estava nas minhas mãos, já tinha passado de mão em mão, e um dos tantos indianos, acenava para que o visse e seguisse... quando acharam o carro que eu ia, colocaram rapidamente as malas em cima do carro e chamaram o motorista.

Antes mesmo de chegar perto do carro, os indianos carregadores já pediam dinheiro. Please give pounds, give pounds!!!
Por um momento fiquei confusa... mas era isso mesmo... ia vinha de um voo de Londres e eles sabiam e queriam pounds e não rupias!!! Comecei a rir, e perguntei você quer pounds? É isso mesmo?
Sim, senhora.. rupias não valem nada. Queremos muitos pounds...
Eu falei que era brasileira e no brasil não tinha poudns, ofereci uma moeda de 1 real.. ele disse: isso não vale nada .. queremos pounds.. 3, 4 pounds...

3 pounds? Isso em reais é cerca de 12 reais...
Enquanto isso eu ia sentando no taxi, eles seguravam a porta, para não deixar o taxista partir e eu ir embora sem dar as moedas.
Peguei algumas moedas de rupias, e algumas notas , cerca de 40 rupias, para cada um  e entreguei a eles. Eles não quiserem.. “ pode ficar com essas rupias... não da para nada... vá embora senhora... queremos pounds!!! Nos vamos la buscar outras passageiros... você já conhece bem aqui , né??
Boa viagem!!! Que Lord Krishna te proteja..
:)
Pois eh.... eu não dei os pounds, que eles queriam, mas sorri, conversei , e eles surpreenderam –me.. como sempre.. mesmo tendo negado o pedido deles, eles foram amáveis e ainda me proferiram palavras de proteção...

O motorista então, arrancou o carro e partimos em direção ao sul de Mumbai... muito calor, trânsito, muita poluição... mas belos e sinceros sorrisos, e olhares cruzam-me a cada minuto... me trazem alegria, conforto, felicidade, e muita paz....

Eram os primeiros minutos na minha nova jornada Índia....

Saúde e muita paz..
Laura

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mais um dia de tratamento no Hospital na Índia


Já estou ha mais uma semana no hospital.  Minha rotina esta bem tranquila.
Acordo cerca de 6h da manha, não porque eu preciso, mas porque meu quarto é exatamente encima da cantina, e neste horário eles ligam o exaustor e começam a barulheira das panelas.
É impossível ficar deitada e dormindo... aproveito então para dar uma caminhada no jardim e curtir o frio da manha, por neste horário a temperatura esta por volta dos 15º C.  Faz bem frio na madrugada, mas durante dia o calor vem com força e qualquer caminhada na rua por mais de 10 minutos, faz o corpo de qualquer um transpirar muito... a umidade aqui é de cerca de 80% e os Pittas aqui sofrem bastante. Ficam pingando o dia todo.  Eu como uma Vata Pitta, se não me expuser a rua, fico tranquila no meu quarto curtindo o meu ventilador...
E cerca de 4 x na semana temos aula de Yoga neste horário e substituo a caminhada pela pratica de yoga restaurativa...

Depois, vou para cantina tomar meu café da manha, que geralmente é composto por um chai e Idli.  Costumo pedir sem Sambar e sem chutney, pois comer molho de tomate com abobora e pimenta já no café da manha, não cai muito bem para mim.  Os funcionários da cantina ficam intrigados como consigo comer os bolinhos de lentilha e arroz fermentados puros... eu que não consigo me encher de pimentas as 8h da manha.
Depois volto para meu quarto e fico a espera da visita da equipe medica. Deitada, lendo, relendo, ... me viro para um lado, para outro... cochilo novamente... quanto mais eu durmo, mas sono eu tenho... é bom não ter nada para fazer...ou melhor.. eu tento não fazer nada...
Por volta das 10h, já com dor no corpo de estar deitada costumo ir para o quarto de alguns amigos pacientes, ficar olhando os procedimentos serem feitos e claro fazendo mil perguntas para as enfermeiras... é ... e lá estou eu processando mais informação...  quando não vou ver os meus amigos, me divirto na biblioteca... ahh. Adoro cheiro de livros, e ainda mas uma biblioteca com textos védicos é uma benção...
As 12h em ponto vou para cantina e posso saborear meu delicioso Patient Meal!!...  é  “ o bandejão do paciente” .   a comida é farta e saborosa. Posso repetir o quanto quiser.
Geralmente é composto por um curd com açafrão da terra, um pickles bem acido de lima, arroz basmati, 2 chapatis, uma porção de feijão moyashi com alguns legumes.. uma porção de legumes com coco ralado e especiarias e outros vegetais refogados com coco e bastante especiarias.
É o momento também de encontrar pacientes, conversar, ver como todos estão e se distrair um pouco.
Depois volto para meu quarto e fico a espera da minha massagem que começas as 14h.  e por 1 hora, as mãos fortes, das 4 enfermeiras banham meu corpo com óleo bem quente.  Meu corpo mergulhado, vai aos poucos sendo sedado, a mente confusa com óleo quente pingando na testa... e cada minuto, o corpo, a mente vao se entregando ao calor, a suavidade do óleo e as manobras intensas e fortes de cada massagista.
Ao terminar a massagem, as enfermeiras ajudam a tirar o excesso de óleo do meu corpo, com pequenos paninhos, e me enrolo em uma toalha e volto para meu quarto.
Permaneço ainda deitada e coberta de óleo por mais uma hora, e muitas vezes adormeço.
Um banho morno , de caneca é claro, pois chuveiro aqui é algo raro, ajuda a remover o restante do óleo do corpo.   E depois a fome já começa a despertar novamente... coloco roupas limpas e desço em direção a cantina para um chai com bolo.
Reencontro algumas amigos e saímos para caminhar pelo jardim ou pela cidade.. mas a caminhada nunca ultrapassa mais de 30 minutos.  Isto já é suficiente para nos deixar cansados.  O óleo da massagem, os remédios, deixam o corpo mais lento, a mente mais calma e os movimentos mais suaves... as articulações ficam mais sensíveis e portanto esforço físico deve ser evitado.
Vou ao templo, fazer minhas preces diárias, contemplar o local... manter o silencio, a reflexão a presença... renovar as forças, a busca , a fé...
Quando chega as 19h, já estou na cantina novamente e agora para meu jantar... neste horário todas as mesas estão ocupadas, e os pacientes muito falantes e agitados.  A maioria teve um dia intenso de tratamento e esta é hora de encontrar outras pessoas e se distrair.  O hospital tem cerca de 300 pacientes internados hoje, então a cantina esta super lotada, e enquanto uns comem, a fila de espera é enorme.
Este ano o “clima”  no hospital esta bastante pesado, estrangeiros mesmo somos só 3 pessoas.. eu e mais duas senhoras que são alemãs. O restante é indiano, ou filhos de indianos que moram no exterior.  Poucas pessoas vieram apenas para “rejuvenescimento” .  muita gente de cadeiras de rodas, e com problemas muito sérios. Afinal este é um hospital ayurvédico e a maioria dos pacientes desta unidade tem problemas neurológicos, doenças auto-imunes, sofreram algum acidente de deixou sequelas motoras, outros com paralisias, Parkinson,  artrite, artrose, etc..  todos aqui buscando uma nova vida, uma melhora, uma transformação.
As vezes, a conversa esta tao boa, que saímos da cantina e continuamos reunidos no saguão do nosso prédio, ou vamos para o templo, ou para o quarto de algum de nós.  As conversar nunca ultrapassam as 21h, pois as 22h, todas luzes dos corredores estão apagadas e é necessário silencio total, pois todos deve já estar deitados.  Ou então, volto para o quarto, para cama, ler , escrever, contemplar, descansar e reavaliar cada momento, cada vivencia, cada experiência...

estes sao meus dias bem tranquilos e restauradores, e que seguirão por pelo menos mais 3 semanas...
Paz e saúde a todos...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Hospital India 2012


Queridos amigos...
É muito bom receber suas mensagens de carinho...
Já estou instalada no hospital e comecei meu tratamento há 2 dias atrás.
Devo ficar cerca de 28 dias por aqui.  Ainda não defini exatamente minha programação... na verdade , neste momento preciso de verdade desligar um pouco.  O segundo semestre deste ano foi bem puxado e o ano que vem promete haver uma explosão de acontecimentos e preciso estra muito forte e mentalmente preparada para tudo.
Ficarei na India até o inicio de fevereiro, mas estes primeiros dias, onde ficarei no hospital, vou aproveitar para relaxar e descansar minha mente, minha vida...
Quando estiver passeando e estudando, no mês seguinte, vou compartilhar cada detalhe com vocês.
As vezes entrarei aqui para dar “oi” e nos comunicarmos.

Mas esta tudo bem por aqui.
O voo foi puxado, como sempre e desta vez vim por Londres, onde estava um frio terrível.
Aqui esta bem agradável comparado com as altas temperaturas cariocas,  cerca de 28º C, mas com sensação térmica de mais 35º C , já que tenho que andar sempre de calças compridas e batas longas... mantendo sempre o corpo coberto e protegido.
Diferente do ano passado, nada de passar fome!!!!  Minhas refeições estão muito fartas e sem restrições.. apenas uma dieta anti-ama por 28 dias o que não difere da minha alimentação normal.
As aulas de yoga estão bem melhores... mudaram o professor e este agora foca muito em pranayamas e posturas restaurativas, perfeito para um panchakarma...
A equipe de massagistas que ficou comigo este ano é maravilhosa... 4 enfermeiras fazendo massagem ao mesmo tempo, enquanto outras duas cuidam do shirodhara que é aplicado ao mesmo tempo da massagem.
Já ganhei vários roxos nas pernas e braços, e olha que so foram 3 dias de massagem!!!!!  Mas é extremamente relaxante... óleo medicado bem quente, cerca de 4 litros por massagem... é um banho de óleo quente medicado...
A equipe médica é toda nova, mas excelente...  meu médico favorito, esta em outro bloco, mas hoje estive lá conversando com ele, para saber do que ele achou das minhas novas prescrições e conversar um pouco.. eu trouxe 2 quilos de café do Brasil para ele, e ficou muito contente...  Indianos adoram café!!!
Meus amigos de tratamentos passados, estão chegando pouco a pouco. Muitos não virão este ano, pois não conseguiram fazer reserva a tempo e esta tudo lotado ... ou melhor esta sempre lotado...  mas novos amizades já vão se formando...  as conversas e encontros na cantina ou no templo ajudam o tempo a passar e conhecer novas historias fantásticas de vida de muita superação, persistência, dor e transformação.
Alguns aqui pela primeira vez...ainda descrentes e desconfiados... outros a cada ano, melhorando sua condição...É bonito ver...as pessoas se permitirem parar, se cuidar... e muitas delas retornarem as suas raízes...
Os dias por aqui estão apenas começando e Mae Índia já me presenteou com grandes ensinamentos e vivencias que compartilhei mais a frente com vocês...
Espero que estejam todos bem...
Muita saúde e paz...
Um grande bj
Laura

Chegando no Kerala.. sul da Índia, para meu Panchakarma!!!!

Assim que o Jet lag me permitir..compartilharei um pouco da viagem com vocês..

Obrigada pelas mensagens de carinho.

Saúde e paz
Namastê

sábado, 1 de dezembro de 2012

Medicina Indiana no Globo Repórter

Namastê...
Muito feliz com o resultado do programa Globo Reporter sobre Índia.
Quando começaram as pesquisas, fiquei bastante apreensiva com o resultado, pois não poderia ver as ediçoes finais...
Obrigada Erick Schultz pela "ponte"com o Hospital 
 e suas orientações.
É muito bom ver o Ayurveda sendo espalhado...

“Nós tratamos o paciente e não a doença. Este é o princípio do Ayurveda. Duas pessoas que vem aqui com a mesma queixa, com o mesmo diagnóstico, podem receber duas prescrições diferentes, dois tratamentos diferentes e até mesmo duas dietas diferentes”, afirmou Unniappan Indulal, médico.

Logo, logo mais um edição sobre Alimentação Ayurveda!!!



Saúde e paz a todos..

Laura Pires 





http://g1.globo.com/globo-reporter/videos/t/edicoes/v/ayurveda-busca-a-cura-para-os-males-do-corpo-e-da-mente-na-natureza-na-india/2270888/

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Curso Básico de Ayurveda 2013 - Rio de Janeiro




CURSO DE FORMAÇÃO EM AYURVEDA -  NÍVEL BÁSICO –
DURAÇÃO: 9 MESES – 11 MÓDULOS
LOCAL:  RIO DE JANEIRO
ASHRAM SUDDHA DHARMA MANDALAM – UBERLÂNDIA

Vagas limitadas


INSTRUTORES:  
LAURA PIRES
JANAINA CHAGAS
DR. JOSÉ RUGUÊ
DIEGO KOURY


PROGRAMA

Módulo 01- Introdução a Ayurveda:
Fundamentos históricos, filosóficos e cosmológicos, conceitos introdutórios da Ayurveda, PanchaMahaBhutas (os cinco elementos), os três gunas (sattva, rajas e tamas).

·         Laura Pires 
 Dias 23 e 24 de março de 2012


Módulo 02 - Teoria Tridosha:
    Os doshas, Subdoshas, suas funções e uso, o biotipo de cada ser e as possíveis combinações, elementos, qualidades, ações. As três essências (prana, tejas e ojas).

·         Laura Pires
 Dias 27 e 28 de abril


Módulo 03 - Análise da estrutura básica do corpo.   

Os sete dhatus(  ações, inter-relações, estados de excesso e deficiência.). O fogo digestivo (agni), Srotas - descrição e distúrbios. Os três malas (excreções corporais).

·         Laura Pires
 Dias 25 e 26 de maio
                                                                                                                    

Módulo 04- Dinacharya (Rotina Diária) e Ritucharya (rotina sazonal).
Pratica diária para saúde e equilíbrio. Equilíbrio dos Doshas nas 4 estações.

·         Laura Pires 
 Dias 22 e 23 de junho


Módulo 05 - Massoterapia ayurvédica.
Anatomia apalpatória. Fisiologia esquelética muscular básica.  Marmas. A utilização da massagem no ayurveda. Utilização dos óleos, pós de ervas. Massagem abhyanga, udwartana, garshana e auto-massagem. Teoria e prática

·         Janaína Chagas

Dias 27 e 28 de julho

Módulo 06 - Massoterapia ayurvédica.

Pizichilli,  Pinda sweda,  Lepas, shiro lepa.  Teoria e prática.

·         Janaína Chagas

  Dias 24 e 25 de agosto


Módulo 7 – Yoga, meditação e pranayamas.
 Princípios , fundamentos da práticas. Yoga sutra.

·         Diego Koury
Dias 28 e 29 de setembro

Módulo 8Alimentação Ayurvédica
Os seis sabores (rasas) e os cinco elementos, Listas de alimentos pela constituição, Estudos dos alimentos: frutas e vegetais, grãos, sementes, feijões e nozes. Laticínios e produtos animais, óleos, condimentos e especiarias. Dietas para os três doshas. Antídotos.
·         Laura  Pires
Dias 26 e 27 de outubro

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UBERLÂNDIA – com Dr. JOSÉ RUGUÊ
(DE 15 A 20 DE NOVEMBRO)

Módulo 09 - Pakriti & Vikruti. Princípios da semiologia e avaliação. Descrição dos procedimentos clássicos de avaliação ayurvédica. As causas das doenças. Os seis estágios da doença. Princípios da anamnese. Análise constitucional. Avaliação breve de pulso.Diagnóstico de língua. Analise voz, olhos, unhas e pele. 


 Módulo 10 – Fitoterapia Ayurvédica– Dravya Guna - Utilização das ervas. Estudo dos conceitos de Virya, Vipak e Prabhava. Estudo das principais ervas usadas na Ayurveda.

Módulo 11 - Visão Ayurvédica da Mente, níveis de cura. A mente e os três Doshas. Os cinco elementos e a mente. As três camadas da mente.


Inscrições e informações:
                                     Mabel Balthazar – (21) 8606 8000
                                   cursosbuscadaessencia@yahoo.com
                                    http://buscadaessencia.blogspot.com
                                             http://www.suddha.net/

domingo, 18 de novembro de 2012

Ceia de Natal Vegetariana

Dia 24/11/12 - Ceia de Natal Vegetariana 






Na Mise En Place. Itanhangá. Rio de Janeiro 



Algumas das receitas: Arroz com castanhas, 


Chutney de Manga, 


Chutney de coentro


Farofa com especiarias, 


Curry de shiitaki, 


Torta de castanhas e morangos, e outras mais...


Inscrições e Informações SOMENTE: www.mepeg.com.br


Telefones: 2491-4090 / 7735-3003

sábado, 27 de outubro de 2012

Depoimento para Revista Marie Claire

"Fui a India e me curei de uma doença grave"

A ex-arquiteta Laura Pires perdeu a visão periférica, não conseguia mais andar e chegou a pesar 37 quilos. Diagnóstico: esclerose múltipla. Depois de enfrentar uma saga de médicos e exames e ter uma reação alérgica aos corticoides, foi para a Índia. Experimentou a medicina ayurvédica. Encarou de frente seus apegos e egoísmo, aprendeu a rezar e a meditar. Na primeira internação de 21 dias, recuperou a visão. Em um ano e meio, estava bem. Mas nunca mais se descuidou

Por Depoimento a Deborah de Paula Souza
"Em plena crise conjugal, os sintomas começaram"
“Em junho de 2005, desmaiei dentro de uma livraria num shopping. Fui socorrida no ambulatório e me disseram que era uma hipoglicemia. Não levei a sério, devia ser estresse. Eu tinha uma vida louca, morava no Rio com o Marcos, meu marido na época, e trabalhava como arquiteta em São Paulo. Vivia na ponte aérea. Em janeiro de 2006, bati o carro. Destruí a lataria, mas ninguém se machucou. Dez dias depois, diante da tela do computador, meu olho esquerdo embaçou. Perdi a visão periférica, essa que nos faz ver as coisas nas laterais sem virar a cabeça. Mesmo assim, passei um colírio e segui trabalhando. Marquei um ­oftalmologista, ele achou que era glaucoma, depois descolamento de retina. Uma outra especialista descartou essa hipótese e diagnosticou uma inflamação no nervo ótico. Receitou corticoide. Tomei um comprimido e a reação foi assustadora. Fiquei vermelha, toda inchada e com calor intenso no corpo. Liguei para a médica e pedi que mudasse o remédio. Ela afirmou que não havia outra medicação. Mas eu não podia tomar aquilo!
Saga aos consultórios De oftalmologistas passei aos neurologistas. Em um mês, perdi a visão periférica do outro olho e comecei a ter dificuldades para andar. Me sentia fraca e sofria com cãibras e tremores. Fazia testes de reflexos e as respostas variavam muito, tinha dia que eu estava melhor, noutros piorava. Entrava nos tubos para fazer ressonância, não aparecia nada. Investiguei durante quatro meses, até que uma espécie de mancha no nervo ótico apareceu em um dos exames. Era um indício de esclerose múltipla, doença inflamatória que ataca o sistema nervoso central e sobre a qual a medicina ainda sabe pouco. Eu teria de fazer sessões para aplicar corticoide na veia, do contrário, iria piorar rapidamente. Fiquei apavorada. ‘Como assim? O que eu tenho?’ Ninguém me explicava, só insistiam nos corticoides, mas se eu tinha sofrido uma reação alérgica tão forte a um comprimido de 20 miligramas, como poderia tomar mil miligramas por dia?
O primeiro contato Enquanto isso, o Marcos começou a pesquisar na internet e mandar ­e-mails para o mundo todo, inclusive para a Índia, roteiro das nossas férias no ano anterior. Eu, até os 19 anos, não sabia nem localizar o país no mapa. Era vegetariana e já havia praticado ioga, mas não me interessava pelo lado ­filosófico. Marcos adorava a Índia e me ensinava coisas sobre a cultura do país. Nessa primeira viagem a passeio, ele teve um problema nos olhos e precisou consultar um médico. Assim conheci­ a ayurveda, a tradicional medicina indiana que tem dietas, massagens e medicamentos à base de ervas entre seus tratamentos.
Um ano depois desse episódio, desesperado à procura de um tratamento para mim, Marcos escreveu para o médico que o atendeu, que respondeu: ‘Traga sua mulher aqui, nós podemos ajudá-la’. Ficamos com essa carta na manga por um bom tempo. Mas eu piorava a cada dia. Parei de trabalhar, enxergava tudo borrado, emagreci demais, cheguei a pesar 37 quilos — sou baixinha, mas meu peso normal é 45 quilos — não conseguia mais ficar em pé. Às vezes, não tinha força para comer e Marcos me dava comida na boca. Sempre fui racional, mas no desespero tentei de tudo: dieta à base de alimentos crus, acupuntura, igreja, centro espírita... Se alguém falava de um novo especialista, eu ia. O que mais me assustava era a possibilidade de ficar dependente dos outros. Odiava o rótulo de ‘doença incurável’ e não queria me identificar com ele. Esse era o ponto: Quem era eu, no que acreditava, para onde queria ir? Tinha 25 anos e até então vivia como Peter Pan, a eterna criança, achando que nunca iria envelhecer e que teria a minha saúde maravilhosa para sempre, mas não sabia preservá-la. Não comia direito, fazia mil coisas ao mesmo tempo.
Menos controle Quando os sintomas começaram, em 2005, eu estava em plena crise no casamento, quase me separando. Pedi ao Marcos que ficasse comigo e ele me respondeu que jamais me abandonaria naquele momento. Com certeza, a minha vulnerabilidade emocional tinha a ver com meu desequilíbrio. Sempre quis ter o controle de tudo e, de repente, nem os meus músculos me obedeciam. A minha recusa aos corticoides provocou conflitos. Sou gaúcha de Pelotas, de uma família tradicional cheia de médicos e advogados, eles me acharam maluca. Minha mãe veio para o Rio cuidar de mim e, em um momento, ela e meu pai quiseram me levar de volta para a casa deles. Sabia que estavam preocupados, mas tivemos muitas brigas. Para minha surpresa, além do Marcos e da minha grande amiga Neza César, meu aliado foi o meu avô materno, de 81 anos, muito religioso, que me compreendeu.
Decisão difícil Em alguns períodos, sentia alívio por causa dos tratamentos alternativos, mas os sintomas voltavam. Até que uma médica foi categórica: ‘Chega de adiar, Laura. Você deve ir agora ao hospital fazer a pulsoterapia’. Eram as tais doses gigantes de remédios. Quando saí do consultório, disse para o Marcos: ‘Vamos para a Índia’. Ele sabia que aquela decisão era difícil, pois toda minha família era contra. Mas me apoiou completamente. Embarcamos em maio de 2006. A viagem durou 24 horas e foi terrível. Não sentia mais o meu corpo, estava cheia de tremores, dormências e cãibras até na cabeça. Marcos­ se internou comigo na clínica onde eu faria o meu primeiro tratamento ayurvédico intensivo, de 21 dias. Ninguém daqui pode imaginar o que é uma clínica indiana: um chão imundo, ninguém varre, lagartixas e baratas passeando pelo quarto. E com as pessoas­ mais amorosas do mundo. Fui atendida por aquele médico que havia cuidado do meu marido e perguntei: ‘Quando o tratamento começa?’. Ele sorriu e disse: ‘Já começou’. A primeira receita era a seguinte: eu devia rezar todos os dias. Rezar? Eu nunca tinha rezado, não acreditava em nada. Passei a fazê-lo, mas não era para Deus. Dedicava as preces ao médico. Simplesmente me entreguei. As condições locais eram inimagináveis. Não tinha chuveiro, só uma torneira de água quente ao lado do vaso sanitário, eu tomava banho de balde, o banheiro cheio de sapos. Por outro lado, todos os aparelhos que eram usados no meu tratamento eram esterilizados, as macas eram higienizadas. Todos os remédios eram à base de ervas, composições de plantas diversas. Meus olhos ficavam mergulhados numa piscina de manteiga — eles colocaram um círculo de pão em volta deles e encheram de ghee, manteiga clarificada e medicada. O tratamento desintoxicante incluia dieta, massagens e os pancha karma, limpezas intestinais, com óleos e chás de ervas injetados pelo ânus.
 
Dor da alma Depois das lavagens, que eram bem invasivas, eu chorava. Meu choro vinha da alma. Não era só dor física, eu sentia uma dor emocional, como se estivesse purgando todas as minhas amarras, medos da infância, tudo. Revivi os meus relacionamentos familiares e o que estava embaixo do tapete apareceu. Lembrava muito da minha avó materna, que morreu de câncer quando eu tinha 19 anos. Éramos grudadas. Hoje, sei o quanto tristezas como esta afetam o equilíbrio do organismo. Ficamos doentes não só por causa do modo como vivemos ou comemos, mas também pelas emoções. Achava que meu marido não me amava porque a gente estava se separando, mas quem não sabia amar era eu. Confundia amor com apego. O cuidado do Marcos comigo foi um ato de amor total. Independentemente de nossas crises, ele estava ali comigo e depois continuou provendo a casa e cuidando de mim durante três anos. Naquela época, eu não seria capaz de fazer aquilo por ninguém. Tive de olhar o meu egoísmo de frente. Voltei da primeira viagem muito melhor e recuperada da visão. Depois de um ano e meio e outra temporada de tratamento na Índia, agora num hospital maior mas igualmente sujo, e sob os cuidados carinhosos do Dr. Mohanan, que cuida de mim até hoje, os sintomas sumiram de vez. Não tomei nenhum remédio alopático, corticoide ou medicação para dor. Nenhum médico indiano me prometeu curas nem garantiu que elas seriam definitivas. No total, fui quatro vezes à Índia para me tratar e pretendo voltar todo ano. E sei que é fundamental fazer a manutenção, sempre de acordo com o seu dosha, uma espécie de biotipo. A ayurveda trabalha com três doshas. O meu dosha predominante é Vatta, típico das pessoas falantes, criativas, instáveis, que adoram viajar, perdem peso rápido e não gostam de rotinas.
Rotina saudável Para equilibrar essa tendência, é importante manter a disciplina. Hoje, acordo 5h30 ou 6h da manhã. Aplico óleo de gergelim no corpo, tomo um banho, um chá e faço uma prática de ayengar ioga. Medito diariamente e sou bem rigorosa com a minha alimentação. Aprendi a cozinhar — antes, não sabia nem preparar um ovo! — e me apaixonei. A base da minha alimentação é fresca e orgânica. Eu era vegetariana e passei a comer peixe uma vez por mês por ordem médica. Sei fazer bolos integrais deliciosos, mas cortei açúcar branco, chocolate e café. Isso não afetou a minha vida social. Já levei sanduíche e frutas frescas em festas. Na rua, sempre tenho o meu kit de castanhas e chá de saquinho. Só não me convide para baladas porque eu durmo cedo. Mesmo com visão, peso e músculos em ordem, nunca mais voltei ao ritmo alucinado de antes.
Sem radicalismos Trabalho de três a quatro vezes por semana, e só. Se precisar trabalhar mais numa semana, na outra tiro uns dias de folga, desligo o telefone e ninguém me acha. Sei quando é hora de me recolher. Não quero convencer ninguém que a ayurveda é a melhor opção para tratar esclerose, câncer ou dor de barriga. Essa medicina não cura tudo. A alopática também não, e não sou contra ela. Tive dengue e tomei soro, peguei uma bactéria na Índia e tomei antibiótico. Quando me separei, em 2010, tive medo de adoecer de novo, porque foi uma escolha do Marcos, não minha. Mas fiquei bem, mudei de casa e passei a me sustentar sozinha. Há dois anos, sou terapeuta profissional. Tenho meus pacientes, um blog de saúde e bem-estar (buscadaessencia.blogspot.com.br), e planos de editar dois livros, o meu, sobre alimentação ayurvédica, e o do Marcos, que escreveu toda essa história, com a visão dele.